segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Cópias do DNA - A imprevisível loteria do câncer e o estilo de vida saudável





Disseminando conhecimentos - Exercício de tradução

Um novo estudo lança luz sobre o câncer que muitas vezes atinge pessoas com estilos de vida saudáveis.

A maioria das mutações do câncer deve-se a erros aleatórios de "copiar" DNA, e não por questões hereditárias ou devido a fatores ambientais, dizem pesquisadores do Johns Hopkins.

Um novo estudo realizado por cientistas do Johns Hopkins fornece evidências de que erros aleatórios na cópia de DNA, imprevisíveis, representam quase dois terços das mutações que causam câncer.

Os pesquisadores dizem que suas conclusões são apoiadas por estudos epidemiológicos mostrando que cerca de 40% dos cânceres podem ser prevenidos evitando ambientes e estilos de vida pouco saudáveis. Mas entre os fatores que impulsionaram o novo estudo, eles acrescentam: o câncer freqüentemente atinge as pessoas que seguem todas as regras da vida saudável - não-fumante, dieta saudável, peso saudável, pouca ou nenhuma exposição a carcinógenos conhecidos - e não têm antecedentes familiares da doença - provocando a dolorosa pergunta: "Por que eu?"

"Já se sabe que devemos evitar fatores ambientais como o tabagismo, para diminuir nosso risco de câncer. Mas não é tão conhecido o fato de que cada vez que uma célula normal se divide e copia seu DNA para produzir duas novas células, ocorrem vários erros ", diz Cristian Tomasetti, professor assistente de bioestatística no Johns Hopkins Kimmel Cancer Center e Johns Hopkins Bloomberg School of Public Health. "Os erros no processo de copiar são potenciais fontes de mutações de câncer que, historicamente foram subestimados pela ciência, e este novo trabalho fornece a primeira estimativa da fração de mutações causadas por tais erros".

Bert Vogelstein, co-diretor do Centro Ludwig no Kimmel Cancer Center, acrescenta: "Precisamos continuar a incentivar as pessoas a evitarem agentes ambientais e estilos de vida que aumentem o risco de desenvolver mutações câncerígenas. No entanto, muitas pessoas ainda desenvolverão câncer devido a esses erros aleatórios de cópia de DNA. Portanto, métodos melhores para detectar mais cedo todos os tipos de cânceres, enquanto ainda possam ser curados, são urgentemente necessários ".


A pesquisa de Tomasetti e Vogelstein será publicada na revista Science.

Os esforços atuais e futuros para reduzir os fatores de risco ambientais conhecidos, afirmam, terão grandes impactos na incidência de câncer nos EUA e no exterior. Porém, alertam que o novo estudo confirma a pouca atenção científica dada às estratégias de detecção precoce do grande número de cânceres causados por erros aleatórios de cópia de DNA.

"Esses tipos da doença ocorrerão independentemente do quão perfeito sejam as condições do ambiente", diz Vogelstein.  

Em um estudo anterior, escrito por Tomasetti e Vogelstein, em 2 de janeiro de 2015, publicado na Science, a dupla relatou que os erros de cópia de DNA poderiam explicar por que certos tipos de cânceres nos EUA, como os do cólon, ocorrem mais comumente do que outros tipos de câncer , como o câncer cerebral.

No novo estudo, os pesquisadores abordaram uma questão diferente: qual fração de mutações cancerígenas é devida a erros de cópia de DNA?

Para responder a esta pergunta, os cientistas examinaram de perto as mutações que impulsionam o crescimento celular anormal entre 32 tipos de cânceres. Eles desenvolveram um novo modelo matemático usando dados de sequenciação de DNA do Cancer Genome Atlas e informações epidemiológicas da base de dados do Cancer Research UK.

De acordo com os pesquisadores, geralmente ocorrem duas ou mais mutações genéticas críticas para que o câncer surja. Em uma pessoa, essas mutações podem ser devidas a erros aleatórios de cópia de DNA, ao meio ambiente ou a genes herdados. Conhecendo isso, Tomasetti e Vogelstein usaram seu modelo matemático para mostrar, por exemplo, que, quando as mutações críticas nos cânceres de pâncreas são agregadas, 77 % delas são devidas a erros aleatórios de cópia de DNA, 18 por cento a fatores ambientais (como fumar), e os 5% restantes em razão da hereditariedade.

Em outros tipos da doença, como os de próstata, cérebro ou osso, mais de 95% das mutações são devidas a erros aleatórios de cópia.

O câncer de pulmão, eles observam, apresenta uma imagem diferente: 65 por cento de todas as mutações são devidas a fatores ambientais, a maioria pelo fumo, e 35 por cento são devidos a erros de cópia de DNA. Não se sabe que fatores hereditários desempenham um papel nesse tipo da doença.

Dentre 32 tipos da doença, estudados, os pesquisadores estimam que 66 % das mutações cancerígenas resultaram de erros no processo de cópia, 29% podem ser atribuídos a fatores no estilo de vida, e os 5 % restantes são hereditários.

Os cientistas comparam sua abordagem às tentativas de resolver a causa de "erros de digitação" ao digitar um livro de 20 volumes: estar cansado ao digitar, representa exposições ambientais; uma tecla presa ou faltando no teclado, representa fatores herdados; e outros erros tipográficos que ocorrem aleatoriamente, representam erros de cópia de DNA.

"Você pode reduzir sua chance de erros tipográficos, certificando-se de que não está sonolento ao digitar, e que em seu teclado não faltam teclas", diz Vogelstein. "Mas os erros de digitação ainda ocorrerão, porque ninguém pode digitar perfeitamente. Da mesma forma, ocorrerão mutações, independentemente do seu ambiente, mas você pode tomar medidas para minimizar essas mutações, limitando sua exposição às substâncias perigosas e estilos de vida pouco saudáveis".

O estudo de 2015 de Tomasetti e Vogelstein criou um debate vigoroso de cientistas que argumentaram sobre a análise publicada anteriormente não incluir câncer de mama ou próstata, e refletir apenas a incidência nos Estados Unidos.

Tomasetti e Vogelstein, agora relatam um padrão semelhante em todo o mundo. Eles argumentaram que quanto mais células se dividem, maior o potencial para os chamados erros de cópia no DNA. Compararam o número total de divisões de células-tronco, com dados de incidência de câncer, coletados pela Agência Internacional de Pesquisa sobre câncer, de 423 registros de pacientes com a doença, oriundos de 68 países, - excluindo os Estados Unidos - representando 4,8 bilhões de pessoas - mais da metade da população mundial.  Desta vez, os pesquisadores também foram capazes de incluir dados de câncer de mama e próstata. Eles encontraram uma forte correlação entre a incidência de câncer e as divisões celulares normais entre 17 tipos de câncer, independentemente do ambiente ou estágio de desenvolvimento econômico dos países.

Tomasetti diz que esses erros aleatórios de cópia de DNA, só serão mais importantes à medida que as sociedades enfrentam o envelhecimento da população, prolongando a oportunidade para que nossas células façam cada vez mais erros de cópia de DNA.

E porque esses erros contribuem com uma grande fração de surgimento da doença, Vogelstein diz que as pessoas com câncer e que evitam fatores de risco conhecidos, devem ser confortadas por suas descobertas.

"Não é culpa sua", diz Vogelstein. "Nada do que você fez, ou não fez, foi responsável por sua doença".



Gostou? Acha que poderia ser útil para mais alguém? Enriqueça suas redes sociais compartilhando num dos ícones abaixo (facebook, google +, twitter).



Texto origina, clique aqui                Outras matérias traduzidas, clique aqui

TRABALHOS DE TRADUÇÃO PUBLICADOS, clique aqui

















segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Intuição, a mais importante forma de inteligência



Disseminando conhecimentos - Exercícios de tradução
Intuição, argumenta Gerd Gigerenzer, diretor do Instituto Max Planck para o Desenvolvimento Humano, é menos sobre, de repente, "conhecer" a resposta correta e mais sobre a compreensão instintiva de que a informação é sem importância e, portanto, pode ser descartada.

Gigerenzer, autor do livro Gut Feelings: The Intelligence of the Inconscious, diz que é intuitivo e racional. "No meu trabalho científico, tenho pressentimentos. Não posso explicar sempre por quê penso que um determinado caminho é o certo, mas preciso confiar nisso e continuar. Também tenho a habilidade de analisar essas sensações e descobrir de que se tratam. Essa é a parte da ciência. Agora, na vida privada, eu confio no instinto. Por exemplo, quando conheci minha esposa, não fiquei perdido em cálculos, nem ela".
Estou falando sobre isso porque, recentemente, um dos meus leitores, Joy Boleda, levantou uma questão que me fez repensar algumas coisas:

E sobre a intuição? Nunca foi intitulada como uma forma de inteligência, mas você acredita que alguém que tenha uma grande intuição, possa ser mais inteligente?

Meu "instinto visceral" é dizer sim, especialmente quando falamos de pessoas que já são intelectualmente curiosas, rigorosas na busca do conhecimento e que estão dispostas a desafiar seus próprios pressupostos.

De forma um pouco mais simples: Se tudo que você faz é sentar em uma cadeira e confiar na sua intuição, não estará exercendo muita inteligência. Mas se mergulhar profundamente em um assunto, e estudar numerosas possibilidades, você estará exercendo inteligência quando seu instinto lhe diz o que é - ou não é - importante.

Em alguns aspectos, a intuição poderia ser pensada como uma compreensão clara da inteligência coletiva. Por exemplo, a maioria dos sites da Web está organizada de forma intuitiva, o que significa que é fácil para a maioria das pessoas entender e navegar. Esta abordagem evoluiu após muitos anos de caos on-line, e uma sabedoria comum surgiu sobre as informações supérfluas e o que era essencial (ou seja, Sobre Nós = essencial).

Theo Humphries argumenta que o "objeto intuitivo" pode ser descrito como "compreensível sem o uso de instruções". Isso é verdade quando algo faz sentido para a maioria das pessoas, em virtude de compartilharem um entendimento comum sobre o modo como aquilo funciona.

Você pode dizer que sou um crente no poder da intuição disciplinada. Faça o seu trabalho pesado de pesquisa, use o seu cérebro, compartilhe argumentos lógicos e eu confiarei e respeitarei seus poderes intuitivos. Mas se você, simplesmente senta na cadeira e me pede para confiar na sua intuição, rapidamente vou sair pela porta sem me despedir.
Digo isso por experiência pessoal; Quanto mais pesquisas eu faço, melhor a minha intuição funciona.

Embora isso possa ser uma paráfrase dos pensamentos de Albert Einstein sobre o assunto, ele é citado como sendo o autor da frase: "A mente intuitiva é uma dádiva sagrada e a mente racional é um servo fiel. Criamos uma sociedade que honra o servo e ignora a dádiva. "

Às vezes, a pressão corporativa, o consenso de grupo, ou o seu desejo de produzir um determinado resultado, pode fazer com que sua mente racional vá na direção errada. Em momentos como esses, é a intuição que terá o poder de salvá-lo. O "mau-pressentimento" é a sua intuição dizendo-lhe que, não importa o quanto você possa estar inclinado em determinada direção, aquele é o caminho errado.

Pessoas inteligentes ouvem esses sentimentos. E as pessoas mais inteligentes entre nós - as que conquistam grandes avanços intelectuais - não o fazem sem aproveitar o poder da intuição.



Gostou? Acha que poderá ser útil para mais alguém? Enriqueça suas redes sociais compartilhando num dos ícones abaixo (facebook, google, twitter).

texto original, clique aqui                               Trabalhos publicados do tradutor


segunda-feira, 4 de setembro de 2017

GUERRA DOS MUNDOS: RETALIAÇÃO -Tradução terminada. Disponibilizada a versão digital em português


The young GEORGY ZHUKOV becomes a character in the adventure of Mark Gardner and J.J. Rust: WAR OF THE WORLDS: RETALIATION. See details in https://tonyed35.wixsite.com/traduzindo/trabalhos


O jovem GEORGY ZHUKOV vira personagem na aventura de Mark Gardner e J.J. Rust: GUERRA DOS MUNDOS: RETALIAÇÃO.  Veja os detalhes em https://tonyed35.wixsite.com/traduzindo/trabalhos

Translator's note:Translating this work from Gardner and Rust have been like watching a war movie. One of those you do not want to leave the room, nor to get popcorn.




Nota do tradutor: Traduzir essa obra de Gardner e Rust, tem sido como assistir a um filme de guerra.  Um daqueles que você não quer sair da sala, nem para pegar pipoca.

P.S. - TRADUÇÃO DE "GUERRA DOS MUNDOS:RETALIAÇÃO", TERMINADA e Publicada na APPLE, KOBO, SCRIBD, BARNES & NOBLE.  ver abaixo os links:

Publicado na Kobo:https://www.kobo.com/br/pt/ebook/guerra-dos-mundos-retaliacao

Publicado na Apple:https://itunes.apple.com/us/book/id1278798581

Publicado na Barnes and Noble: https://www.barnesandnoble.com/w/guerra-dos-mundos-john-j-rust/1127061145?ean=2940154863893


Publicado na SCRIBD - https://pt.scribd.com/book/357956490/Guerra-dos-Mundos-Retaliacao



Osteoporose - testes com nova droga para combate à doença.






Impressão em 3D do modelo de uma tíbia com massa óssea porosa, à esquerda, e outro, à direita, que mostra a acumulação de massa óssea após o tratamento com a nova droga desenvolvida pela Radius.


Disseminando conhecimentos - Exercício de tradução
Abrangente ensaio clínico com uma nova droga para combate à  osteoporose, descobriu propriedades que estimulam o crescimento ósseo e evitam as fraturas.  O novo fármaco mostrou-se tão eficiente quanto a única outra droga com essa finalidade já presente no mercado. O novo medicamento, após obter a aprovação dos reguladores federais, poderá oferecer  outra opção de tratamento para alguns dos 10 milhões de americanos - 80 por cento deles, mulheres - que sofrem com a doença que enfraquece os ossos e, muitas vezes, leva a anos de dor, deficiência e morte precoce.

Os especialistas concordam com a urgência de novos medicamentos para tratar essa doença debilitante. As pessoas com osteoporose têm ossos que são frágeis e quebram facilmente. Massa óssea é naturalmente perdida com a idade. Mas a osteoporose é uma perda óssea extrema e anormal, que pode causar fraturas devastadoras, particularmente da coluna vertebral e do quadril. No entanto, a maioria das pessoas com osteoporose não toma medicamentos para prevenir fraturas, de acordo com a National Osteoporosis Foundation.

A nova droga parece promissora, de acordo com o ensaio clínico conduzido pela Radius, cujos resultados foram publicados na terça-feira na JAMA, a revista da American Medical Association. O teste comparou o novo fármaco - a abaloparatida - com um placebo, e com o outro único fármaco de construção óssea no mercado, o Forteo da Eli Lilly.

Se o medicamento da Radius for aprovado, competirá com o Forteo, cujo preço médio de varejo é agora de 3.100 dólares, para um fornecimento de quatro semanas, disse Michael Rea, diretor executivo da Rx Savings Solutions, a empresa fornecedora de informações sobre preços de remédios prescritos. Esse valor é o triplo do preço médio da droga em 2010, disse ele, acrescentando que nos últimos três anos, a Lilly aumentou o preço do Forteo duas vezes por ano em percentuais que variaram de 9 a 15%, a cada vez.

A Lilly confirmou a periodicidade dos aumentos, e forneceu os preços de atacado para sua droga. Em 2010, o preço de atacado do Forteo foi de US $ 947,20, e em 2016 alcançou US $ 2,557.77.

Embora especialistas médicos esperem fervorosamente que o medicamento da Radius, se aprovado, custe menos do que o Forteo, isso ainda não é uma certeza. A Dra. Lorraine A. Fitzpatrick, médica-chefe da Radius, a pequena start-up responsável pela nova droga, recusou-se a discutir o preço. Se o medicamento Radius for aprovado, será o primeiro produto da empresa.

Com o alto preço do Forteo, as seguradoras se recusam a cobri-lo, e mesmo quando o fazem, os pacientes podem enfrentar franquias altas, dizem os médicos que tratam a doença. As seguradoras muitas vezes insistem que os pacientes de alto risco, primeiro tentem uma opção mais barata, uma classe de drogas chamadas bisfosfonatos, que inclui o Fosamax.  Isso diminui a perda de osso existente, mas não reconstrói osso. Apesar de custarem apenas centavos por dia, podem apresentar efeitos colaterais muito raros - uma quebra repentina do fêmur, ou uma erosão da mandíbula. Muitos pacientes de alto risco estão aterrorizados com os efeitos colaterais da droga, e decidem simplesmente não tomar nada, em vez de tentar esses medicamentos iniciais.

"Eu vejo isso o tempo todo", disse o Dr. Steven L. Teitelbaum, especialista em osteoporose da Faculdade de Medicina da Universidade de Washington, que não esteve envolvido no ensaio clínico do novo medicamento. "Os pacientes não são tratados". O preço do Forteo, ele disse, é "obsceno".

J. Scott MacGregor, porta-voz da Lilly, informou por e-mail que "a retórica sobre o preço das drogas representa um falso debate - uma questão de custo-benefício". Ele acrescentou que a Lilly mantém vários programas para auxiliar pacientes nos pagamentos e negociação de preços com as seguradoras . E, complementou informando sobre os altos custos para produção do Forteo.


O alto preço do Forteo é o cerne do problema de obter a droga para quem precisa dela, disse a Dra. Dolores Shoake, professora de medicina da Universidade da Califórnia em São Francisco. "O custo no setor privado está ficando proibitivo", disse ela. "Você precisa buscar um motivo, encontrar uma razão muito forte e convincente para obter a aprovação do Forteo por uma seguradora, acrescentou. "Nós achamos que pode ser extremamente difícil cobri-lo".

Da mesma forma que o Forteo, o novo fármaco deverá ser injetado diariamente, mas é um derivado de um hormônio diferente - que apenas estimula o crescimento ósseo. A droga feita pela Lilly estimula tanto o crescimento ósseo, como a perda óssea, embora o efeito líquido seja de ganho ósseo.

Com a droga da Radius, furos da osteoporose parecem preenchidos mais rapidamente do que com o medicamento da Lilly. Mas o estudo não foi suficientemente abrangente para determinar se isso se traduz em menos fraturas. Ambas as drogas mostraram-se muito melhores que o placebo. Após 18 meses, quatro mulheres entre as 824 que tomaram o medicamento Radius, tiveram uma nova fratura da coluna vertebral, em comparação com seis das 818 que tomaram a droga Lilly, e 30 das 821 tomando placebo.

A Radius solicitou autorização da FDA (Food and Drug Administration, agência americana de controle)  para comercializar o medicamento.

A osteoporose não é uma única doença, e não há um tratamento universal que funcione para todos, disse o Dr. Teitelbaum. Na Universidade de Washington e em outros centros médicos com foco principal na osteoporose, os especialistas realizam biópsias ósseas para decidir qual droga é melhor para um paciente de alto risco. Alguns pacientes perdem osso muito rapidamente. Para eles, é preferível um bisfosfonato ou outro fármaco injetável semelhante - a Prolia, fabricado pela Amgen. Aqueles com reconstrução óssea mais lenta precisam de uma droga que acelere o processo. Até agora, a única droga do tipo era o Forteo.

Os pacientes, geralmente, podem tomar o Forteo por até dois anos, pois verificou-se aumento na incidência de câncer em ossos de ratos. Até agora, isso não foi constatado em seres humanos, informou o Dr. Henry M. Kronenberg, chefe da unidade endócrina do Hospital Geral de Massachusetts. Mas o F.D.A. exige que o medicamento contenha, no rótulo, informações sobre os efeitos nos ratos. Dois anos, também, é o prazo que as apólices de seguro , em geral, pagam pelo tratamento.

O desenvolvimento da nova droga surgiu da pesquisa sobre o câncer. Dois endocrinologistas, o Dr. Andrew F. Stewart, agora diretor do instituto Diabetes, Obesidade e Metabolismo da Icahn Escola de Medicina, no Monte Sinai, e seu mentor, Dr. Arthur E. Broadus, da Universidade de Yale, tentaram descobrir por que alguns pacientes com câncer tinham quantidades excessivas de cálcio no sangue. É uma condição perigosa, levando à fraqueza excessiva e até ao coma. Quando os médicos estudaram tumores que provocaram liberação de cálcio dos esqueletos de alguns pacientes, descobriram que o câncer secretava um hormônio ainda desconhecido, e que afetava os níveis de cálcio no sangue.

Mas como um hormônio poderia causar altos níveis de cálcio no sangue, removendo cálcio dos ossos e também causando crescimento ósseo?

"Parece um contra-senso", disse Stewart. "Mas a magia depende inteiramente de como você administra a substância." Ele explicou que um fluxo contínuo do hormônio lixa o cálcio do esqueleto, mas que um único pico do hormônio constrói o osso.

A droga fabricada pela Lilly baseia-se em outro hormônio, que também faz lixiviar cálcio dos ossos, quando administrado continuamente. Mas, se for administrado uma vez por dia, provoca construção e desconstrução nos ossos. Essa é a base para o medicamento da Lilly. O hormônio descoberto pelos doutores Stewart e Broadus, tornou-se a base para a nova droga produzida pela Radius.

A grande questão - além do preço - é : qual medicamento de construção óssea é melhor para prevenir fraturas?  Isso, infelizmente, pode nunca ser conhecido. 
Em seu artigo, o Dr. Miller, o principal autor do novo ensaio clínico e diretor-médico do Centro para Pesquisas Ósseas, em Lakewood, Colorado, e seus colegas, observam que serão necessários estudos em 44 mil pacientes para constatar uma diferença significativa. O F.D.A. exige apenas que o novo medicamento seja, pelo menos, tão bom quanto o existente, o que o recente estudo já demonstrou.


Gostou? Acha que poderia ser útil para mais alguém? Enriqueça suas redes sociais compartilhando num dos ícones abaixo (facebook, google, twitter).

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Gravidez - Vitamina B3 pode ajudar a prevenir defeitos congênitos


 Disseminando conhecimentos - Exercício de tradução

Uma dose extra de vitamina B3 pode ajudar a prevenir certos tipos de defeitos congênitos complexos, de acordo com um novo estudo. A vitamina pode ajudar a compensar defeitos na capacidade do corpo de fazer uma molécula denominada dinucleótido de nicotinamida adenina (NAD), que os pesquisadores ligaram pela primeira vez ao desenvolvimento fetal saudável em seres humanos. A descoberta levanta a possibilidade de que o aumento dos níveis de B3 nas dietas das mulheres grávidas possa ajudar a reduzir as taxas globais de defeitos congênitos.

A história começou com a busca de genes que poderiam causar defeitos cardíacos. Sally Dunwoodie, geneticista de desenvolvimento do Instituto de Pesquisa Cardíaca Victor Chang, em Sydney, Austrália, e seus colegas, estudavam os genes que influenciam o desenvolvimento do coração, e por anos, os médicos os conectaram às famílias de crianças nascidas com problemas naquele órgão, para que a equipe tentasse identificar possíveis genes responsáveis. 

Em 2005, a equipe de Dunwoodie lidou com um caso particularmente grave: um bebê que apresentava defeitos no coração, espinha dorsal e costelas - os problemas nas costelas eram tão graves que os pulmões da criança não podiam inflar completamente. Os pesquisadores descobriram que na família, pai e mãe carregavam uma mutação em um gene relacionado à produção de NAD, uma molécula crucial para armazenamento de energia e síntese de DNA nas células, e o bebê afetado herdara duas cópias com a tal mutação.

Ainda não existiam relatos sobre o papel do NAD no desenvolvimento de coração ou osso, diz Dunwoodie. "Nós não sabíamos o que fazer com aquilo".

Em 2012, no entanto, a equipe encontrou uma mutação semelhante em uma família cujo bebê nascera com igual má-formação. Desta vez, o gene mutante estava envolvido no próximo passo da reação que produzia o NAD. "Esse foi o nosso momento 'Eureka' ", diz Dunwoodie. Ela e os colegas descobriram duas famílias cujos bebês, além de nascerem com defeitos congênitos semelhantes, apresentaram mutações nos mesmos dois genes. Recentemente, descreveram as mutações ocorridas em quatro famílias, no The New England Journal of Medicine.

Para confirmar o papel das mutações no desenvolvimento de órgãos e ossos, os pesquisadores manipularam os dois genes em ratos, para ver se apareciam defeitos congênitos semelhantes. No começo, todos os filhotes eram normais. Mas então, os pesquisadores perceberam que a comida-padrão dada aos ratos era rica em niacina, e que as células podiam usar niacina ou nicotinamida - ambas conhecidas como vitamina B3 - para fazer NAD por um caminho alternativo.

Assim, os cientistas deixaram de alimentar as ratas mutantes grávidas com a dieta-padrão. Muitos filhotes morreram no útero, e aqueles que sobreviveram, tiveram defeitos que se assemelhavam aos vistos nas crianças afetadas das quatro famílias. Dando às camundongas mutantes grávidas baixas doses de niacina, foram gerados filhotes com defeitos menos graves, enquanto uma dieta rica em niacina produziu ninhadas saudáveis. O trabalho sugere que os suplementos de B3 podem ajudar as famílias com mutações em genes relacionados ao NAD, prevenindo defeitos congênitos, ou talvez até tratando crianças já afetadas.

É claro, são necessários mais estudos em humanos antes dos médicos recomendarem suplementos B3 para mulheres grávidas, diz Matthew Vander Heiden, que estuda o papel do NAD em biologia do câncer, no Massachusetts Institute of Technology de Cambridge. Mas o trabalho abre uma nova e potencialmente excitante área de pesquisa para biólogos de desenvolvimento: tentar entender como o metabolismo celular afeta o desenvolvimento. Poucas pessoas suspeitariam que a deficiência do NAD seria a causa de defeitos congênitos, diz ele, mas é isso que indicam nossas descobertas sobre como o NAD pode influenciar o crescimento celular.

Os pesquisadores não têm certeza sobre como os níveis de NAD afetam o desenvolvimento, tendo em vista  a molécula desempenhar papel fundamental em diversas funções celulares diferentes. Pode ser que as células sem NAD suficiente não gerem a energia necessária para acompanhar o rápido ritmo de crescimento e divisão celular que o desenvolvimento requer. A molécula também ajuda as células a responderem a certos tipos de estresse. Mas Dunwoodie e Vander Heiden suspeitam que o papel que o NAD desempenha na síntese e reparo do DNA, pode ser especialmente importante. Eles observam que pacientes com anemia de Fanconi, uma doença em que o DNA se quebra facilmente, geralmente apresentam má-formações de nascimento, semelhantes às observadas nas famílias do estudo.

Dunwoodie diz que contou, pelo menos, 95 genes envolvidos nos níveis de NAD no corpo. É possível que mutações em qualquer um desses pacientes possam deixar um feto em desenvolvimento, vulnerável a defeitos congênitos, mesmo que nenhum dos pais tenha sintomas óbvios. A vitamina B3 extra na dieta de uma mãe poderia ajudar a compensar qualquer um dos genes defeituosos, diz ela.

Os médicos já recomendam que as mulheres consumam quantidades específicas de ácido fólico, ou vitamina B9, para evitar defeitos da medula espinhal, mas o novo trabalho não é suficiente para oferecer uma proposta similar para a B3. Os pesquisadores precisam aprender mais sobre como a gravidez influencia os níveis de NAD em geral, e qual é o nível saudável, diz Vander Heiden. É possível que a B3 extra em vitaminas pré-natais padrão, já seja a adequada. Muita niacina pode causar tonturas, náuseas e diarreia, mas doses baixas não têm efeitos colaterais conhecidos. "Há poucas desvantagens de adicionar um pouco de niacina às dietas das pessoas, diz ele, e se puder evitar até mesmo alguns defeitos de nascimento severos, é uma possibilidade muito interessante".


Gostou? Acha que poderia ser útil para mais alguém? Enriqueça suas redes sociais compartilhando num dos ícones abaixo (facebook, google, twitter).


Gretchen Vogel       texto original, clique aqui








segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Exame de sangue poderá detetar câncer em estágio inicial



Disseminando conhecimentos - Exercício de tradução


Cientistas desenvolvem exame de sangue que detecta DNA derivado de tumores em pessoas com câncer em estágio inicial.



Um promissor teste de triagem poderia reduzir o excesso de exames para populações com maior risco de certos tipos de câncer.


Em uma tentativa não invasiva de detectar câncer em estágio inicial, os cientistas do Johns Hopkins Kimmel Cancer Center informam que desenvolveram um teste que detecta no sangue pequenas quantidades de DNA específico desse tipo de doença. 

O procedimento foi utilizado em cerca de 138 pessoas, e em mais da metade, identificou com precisão câncer colorretal, de mama, de pulmão e ovário, relativamente precoces.

O teste, dizem os cientistas, é novidade na medida em que pode distinguir entre o depósito de DNA de tumores e outros DNAs alterados e confundidos com biomarcadores de câncer.

Um relatório sobre a pesquisa, realizada em sangue e amostras de tecido tumoral de 200 pessoas em todas as fases de câncer, nos Estados Unidos, Dinamarca e Holanda, foi publicado em 16 de agosto de 2017 na revista Science Translational Medicine.

"Esse estudo mostra que a identificação do câncer em estágios iniciais por meio das mudanças no DNA presente no sangue, é viável, e que nosso método de sequenciamento de alta precisão é uma abordagem promissora para atingir esse objetivo", diz Victor Velculescu, professor de oncologia no Kimmel Cancer Center.

Os exames de sangue para câncer são uma parte crescente da oncologia clínica, mas permanecem nos estágios iniciais de desenvolvimento. Para encontrar no sangue pequenos pedaços de DNA derivado de câncer, os cientistas freqüentemente usam como guia os erros genéticos que provocam as alterações de DNA encontradas nas biopsias de tumores, e procuram no sangue desses pacientes biopsiados essas mesmas alterações.

Para desenvolver um teste de triagem de câncer que pudesse ser usado com pessoas aparentemente saudáveis, os cientistas tiveram que encontrar novas maneiras de detectar alterações de DNA, ainda ocultas no sangue.

"O desafio era desenvolver um exame de sangue que pudesse detectar a presença provável de câncer, sem ainda conhecer as mutações genéticas  no tumor de uma pessoa", diz Velculescu.

O objetivo, acrescenta Jillian Phallen, estudante de pós-graduação no Johns Hopkins Kimmel Cancer Center, que estava envolvida na pesquisa, era desenvolver um teste de triagem altamente específico para o câncer e preciso o suficiente para detectar a doença quando presente, reduzindo o risco de resultados "falsos positivos", que muitas vezes levam a excessos de testes desnecessários e a tratamentos inadequados.

Para desenvolver o novo teste, Velculescu, Phallen e seus colegas obtiveram amostras de sangue de 200 pacientes com câncer de mama, pulmão, ovário e colorretal. O exame nessas amostras procurou por mutações em 58 genes, amplamente ligadas a vários tipos de câncer.

Entre 42 pessoas com câncer colorretal, o teste previu corretamente a doença em 50 por cento dos pacientes no estágio I, 89 por cento dos pacientes no estágio II, 90 por cento dos pacientes no estágio III e 93 por cento no estágio IV. Para os pacientes com câncer de pulmão, o teste identificou corretamente o câncer entre 45% dos pacientes com doença no estádio I, 72% com doença no estádio II, 75% com estágio III e 83% com câncer no estágio IV.

Para 42 pacientes com câncer de ovário, o teste identificou 67 por cento do estágio I, 75 por cento do estágio II, 75 por cento do estágio III e 83 por cento com doença no estádio IV. Entre os 45 pacientes com câncer de mama, o teste detectou mutações derivadas de câncer em 67 por cento dos pacientes com doença de estágio I, 59 por cento com estágio II e 46 por cento com câncer de estágio III.

Em geral, os cientistas conseguiram detectar câncer em 86 dos 138 pacientes - 62 por cento dos estágios I e II, e não encontraram nenhuma das mutações derivadas de câncer em amostras de sangue de 44 indivíduos saudáveis.
Apesar destes resultados iniciais promissores na detecção precoce, o exame de sangue precisa ser validado em estudos de um número muito maior de pessoas, dizem os cientistas.

Velculescu e sua equipe também realizaram sequenciação genômica independente em tumores removidos de 100 dos 200 pacientes com câncer, e descobriram que 82 por cento apresentavam mutações que se correlacionavam com as alterações genéticas encontradas no sangue.

Ele diz que as populações que poderiam se beneficiar de um exame de sangue com base em DNA, incluem aquelas com alto risco de câncer, como os fumantes, cujas tomografias computadorizadas padrão para identificar câncer de pulmão, geralmente leva a falsos positivos, e mulheres com mutações hereditárias para mama e câncer de ovário dentro dos genes BRCA1 e BRCA2.

Vanessa Wasta

Texto original, clique aqui                     traduções de livros publicados

                                     OUTRAS TRADUÇÕES DO BLOG






segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Avanços da Ciência contra o envelhecimento


DISSEMINAÇÃO DE CONHECIMENTOS - EXERCÍCIO DE TRADUÇÃO



RESUMO
Uma equipe de pesquisadores da Faculdade de Medicina Albert Einstein de Nova York divulgou um avanço na pesquisa anti-envelhecimento. Suas descobertas sugerem que o hipotálamo é crucial para controlar o envelhecimento e as doenças relacionadas à idade.

A CHAVE ESTÁ NO CÉREBRO
Pesquisadores do Albert Einstein, em Nova York, testaram com sucesso um novo procedimento em camundongos que poderia ajudar a controlar as doenças relacionadas com a idade e até mesmo o envelhecimento em si. Na matéria divulgada pela revista Nature, os pesquisadores relataram a descoberta do papel crucial que o hipotálamo - a região do cérebro responsável pelos processos hormonais e metabólicos do corpo - desempenha no envelhecimento.

"Nossa pesquisa mostra que o número de células-tronco neurais hipotalâmicas, naturalmente diminui ao longo da vida do animal, e esse declínio acelera o envelhecimento", disse o pesquisador Dongsheng Cai, em um comunicado à imprensa. Eles descobriram, no entanto, que o processo não é irreversível.

A fim de descobrir se o desaparecimento das células-tronco neurais foi causado (ou devido ao) envelhecimento, eles injetaram nos ratos uma toxina que matou 70 por cento dessas células-tronco neurais. "Esta ruptura aumentou muito o envelhecimento em comparação com o grupo de ratos de controle, e aqueles animais com células-tronco interrompidas morreram antes do normal", explicou Cai.

Em um segundo experimento, os pesquisadores implantaram células-tronco novas no cérebro de ratos mais velhos. Isso prolongou a vida dos camundongos em 10 a 15 por cento, mantendo-os fisicamente e mentalmente em forma durante vários meses.

CONTROLANDO O ENVELHECIMENTO

Anteriormente, outros pesquisadores sugeriram um papel para o hipotálamo no processo de envelhecimento - embora nunca antes tenha sido identificado com tanta clareza. A equipe de Cai parece ter fornecido o elo perdido, o que poderia impulsionar significativamente a pesquisa anti-envelhecimento. "É uma grande descoberta", disse David Sinclair na Harvard Medical School ao The Guardian. "É um avanço. O cérebro controla quanto tempo vivemos ".

As pesquisas no campo do envelhecimento aumentaram ao longo dos últimos anos à medida que os cientistas solidificaram a ideia de que o envelhecimento em si, é uma doença que pode e deve ser curada. Talvez não seja surpreendente que muitos destes tratamentos potenciais tenham como objeto alguma função do cérebro. Um estudo examina as mitocôndrias, enquanto outros observam drogas que já estão sendo usadas para tratarem os efeitos do envelhecimento. Um estudo está explorando o potencial anti-envelhecimento das transfusões, usando sangue jovem.


Para a pesquisa de Cai, o próximo passo é testar o procedimento em seres humanos, e a equipe quer iniciar ensaios clínicos em breve. No entanto, isso pode ser um longo caminho. "É claro que os humanos são mais complexos", disse Cai, falando também com o The Guardian. "No entanto, se o mecanismo for fundamental, você poderá esperar ver efeitos de sua aplicação".

texto original:clique aqui                  outros textos neste blog: clique aqui

                             TRABALHOS PUBLICADOS E EM ANDAMENTO: clique aqui

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

O retorno à Lua e um futuro com carbono zero

Disseminando informações - Exercício de tradução



A IMPORTÂNCIA DE UMA NOVA MISSÃO PARA GARANTIR UM FUTURO COM ZERO EMISSÃO DE CARBONO.



"O importante para o governo não é fazer coisas que os indivíduos já estão fazendo, e fazê-las um pouco melhor ou um pouco pior; mas fazer aquelas coisas que, no presente, não são feitas de maneira alguma "
- John Maynard Keynes

Em 20 de julho de 1969, Neil Armstrong e Buzz Aldrin pisaram na lua. Quarenta e oito anos depois, o desembarque lunar continua a ser uma das maiores conquistas da humanidade. Mas o "passo gigante para a humanidade" não foi apenas um evento simbólico - teve grandes repercussões para a vida na Terra.

Quando John F. Kennedy anunciou o objetivo de enviar um americano para a Lua em 1961, iniciou-se um frenesi de inovação em toda a economia dos EUA. O trabalho pioneiro da NASA levou a grandes avanços tecnológicos em áreas como eletrônicos e computação, o que gerou impactos em toda a economia. Sem a pesquisa e o desenvolvimento incentivados com a viagem à lua, muitas das principais empresas tecnológicas de hoje talvez não tivessem sido fundadas, e o mundo provavelmente seria um lugar muito diferente.

O programa lunar é um exemplo bem sucedido de política "orientada para a missão". Em vez de se concentrar em setores específicos - como na política industrial tradicional - a política orientada para a missão se concentra na superação de um desafio comum a toda uma sociedade. Envolve o pensamento estratégico sobre a direção em que queremos avançar e o tipo de instituições e tecnologias que precisamos para chegar lá.

A importância da política orientada para a missão reside no fato de que a inovação tem uma taxa e uma direção. A direção pode ser deixada para a mão invisível do mercado, ou pode ser ativamente orientada pelos formuladores de políticas para moldar novos futuros. Se o governo dos EUA não definisse o objetivo de colocar um homem na lua, a tecnologia que nos levou lá provavelmente nunca teria sido desenvolvida, e certamente não dentro do mesmo período. Guiados pela lógica da maximização do lucro, não havia incentivo para o setor privado assumir a tarefa. Os recursos necessários, e os riscos envolvidos, eram simplesmente muito grandes.

Os economistas geralmente saúdam a empresa privada como o motor da inovação. Mas quando se tratam de grandes avanços tecnológicos do século passado, a realidade é que a maior parte do investimento pesado foi feito pelo estado. Como Mariana Mazzucato destacou, muitos dos avanços mais ousados ​​da humanidade - desde internet e microchips, até a biotecnologia e a nanotecnologia - só foram possíveis por investimentos do setor público nos estágios iniciais. Em cada uma dessas áreas, o setor privado só entrou muito mais tarde, acompanhando os avanços tecnológicos tornados possíveis por investimentos públicos de longo prazo e de alto risco.

Mas, durante décadas, a política na Grã-Bretanha foi guiada por uma suposição de que o mercado conhece melhor. Isso além de resultar em uma economia fraca e desequilibrada, fez com que as tentativas de inovação muitas vezes se concentrassem em encontrar formas cada vez mais sofisticadas de extrair valor - não criá-lo. 

Enquanto no final da década de 1960, as mentes mais brilhantes do mundo se inspiraram para trabalhar na exploração espacial. No ano 2000, predomina a sedução pelo mundo da feitiçaria financeira. 

Uma enorme quantidade de força intelectual foi dedicada a inventar instrumentos financeiros incrivelmente complexos e "socialmente inúteis". Essas invenções - embora inegavelmente inovadoras - alimentaram uma crise financeira global e, finalmente, acabaram destruindo mais valor do que jamais criaram. 
Os "inovadores" receberam grandes recompensas, enquanto o contribuinte foi deixado com os restos.

 A lição aqui é que a direção da inovação é importante e, portanto, devemos orientar nossos recursos - humanos e financeiros - para atividades que ajudem a resolver problemas sociais reais.

Hoje enfrentamos muitos desafios, mas talvez nenhum deles seja mais urgente do que a mudança climática. A era dos combustíveis fósseis e a produção em massa, geraram uma riqueza sem precedentes, mas o aumento dos níveis de dióxido de carbono na atmosfera levou a um planeta quente. Se permitimos que a temperatura média aumente mais de 2 ° C acima do nível pré-industrial, então o resultado será um dano devastador e irreversível para nosso ambiente e ecossistemas.

Ao contrário dos desembarques na lua, superar esses desafios não é apenas uma questão de curiosidade científica ou supremacia ideológica - é crucial para a sobrevivência da vida como a conhecemos. Mas, como os desembarques na lua, o desafio é tecnológico. Mais do que qualquer outra coisa, superar isso significa encontrar uma maneira de desvincular nossa economia de combustíveis fósseis sem prejudicar os padrões de vida. A política deve, portanto, ser orientada em torno de uma nova missão - fazer uma transição rápida para uma economia de zero carbono.

Para ter sucesso, é preciso haver um enorme investimento em pesquisa e desenvolvimento, e uma transformação radical dos nossos sistemas de energia, transportes e economia. Como antes, a velocidade e a escala da tarefa significam que ela deve ser conduzida pelo estado. Mas na Grã-Bretanha, quatro décadas de neoliberalismo isolaram a capacidade do setor público. Por conseguinte, devem ser tomadas medidas para reconstruir as instituições existentes do setor público e aumentar a sua capacidade de pensar e agir de forma importante. Mas também precisamos estabelecer novas instituições de pesquisa "focadas em missão" para liderar a transição tecnológica. Uma deles poderia ser encarregada de acelerar a revolução da energia, focalizando a pesquisa sobre geração renovável, armazenamento e redes inteligentes, enquanto à outra poderia ser dado um mandato mais amplo para pesquisar novas tecnologias que minimizem o uso de materiais e energia. Com o modelo da NASA, esses órgãos seriam encorajados a experimentar e assumir riscos, e devem ser generosamente financiados para garantir que possam atrair os melhores talentos.

Incentivos e parcerias devem ser estabelecidos para assegurar que o setor privado desempenhe um papel complementar na comercialização e implantação de novas tecnologias, e com recompensas adequadamente compartilhadas com o estado. As famílias devem ser subsidiadas para descarbonizar casas dentro de um determinado período de tempo, através de adaptação verde e novas instalações de energia. Os benefícios disso não só seriam ambientais - uma descarbonização sistêmica de toda a economia criaria milhares de novos empregos de alta remuneração em todo o país.

texto original: clique aqui
Outras postagens neste blog: CLIQUE AQUI
Trabalhos publicados e em andamento: clique aqui