terça-feira, 15 de outubro de 2019

Mude sua visão: Adaptando-se à vida de freelancer


Mude sua visão: Adaptando-se à vida de freelancer

Traduzido por Eduardo Rodrigues

original em  
https://blog.freelancersunion.org/2018/03/16/shifting-mindsets-adapting-to-the-freelancers-life/?fbclid=IwAR1c_yCgM27FVXvKUtAYIO5q-FrfK1hNvj2g916UhNbOrJJVTo16KTCpvfg

Esta é uma postagem de um membro da comunidade Freelancers Union. Se você estiver interessado em compartilhar sua experiência, sua história ou algum conselho que ajudará um colega freelancer, sinta-se à vontade para enviar seu post para nós.

Quando pensava em deixar meu emprego de tempo integral para me tornar freelancer, achei que tudo do que realmente precisaria para dar certo era de tempo. E, é claro, eu esperava ter bastante tempo, uma vez que "das nove às cinco" não seria mais uma prioridade. Meus planos eram renovar e relançar o meu site em algumas semanas, e ter novos clientes batendo na minha porta virtual em mais duas semanas. Pensei ser capaz de produzir regularmente uma tonelada de bons trabalhos e com sucesso, sem nenhum obstáculo, pois agora eu teria todo o tempo a minha disposição.
Desnecessário seria dizer que isso não aconteceu.
Enquanto lutava para obter um progresso real naqueles primeiros dias de construção do meu negócio a partir do zero, percebi algo vital - o tempo não é o único ingrediente necessário na receita para o sucesso. Estava faltando uma das ferramentas mais importantes para avançar no meu novo empreendimento: Um estado mental apropriado à vida de um freelancer.
Perdendo a mentalidade de empregado
À medida que vivemos, certas idéias tomam conta de nossas mentes e criam um conjunto de atitudes que nos ajudam a interpretar ou responder à vida de determinada maneira. Depois de anos trabalhando como funcionário, adquiri meu próprio conjunto de atitudes que, querendo ou não, impuseram uma mentalidade adequada para um empregado. Quando decidi viver por conta própria para construir a empresa freelancer dos meus sonhos, inconscientemente carreguei essa mentalidade comigo e tentei usar minhas preconcepções para me ajudar com a tarefa em mãos. Claro que não funcionou. Eu era como um faz-tudo tentando usar um martelo de plástico como ferramenta - não totalmente impossível, apenas não muito eficaz.
Comecei a pensar que existiam certas ideias que precisavam ser descartadas e outras idéias que precisavam ser adaptadas para que meus esforços de freelancer fossem realmente bem-sucedidos e proveitosos. É claro que nem tudo o que aprendi antes seria agora inaplicável. Na verdade, a maioria das ideias ainda é tão valiosa quanto antes. No entanto, existem algumas diferenças entre trabalhar como funcionário de uma empresa e ser freelancer que precisam ser abordadas, compreendidas e aceitas.
Essas idéias são diferentes entre as pessoas, pois cada indivíduo processa informações e experiências de maneira diversa. Para mim, tudo se resume a esses três conceitos:
Individualidade
A individualidade é o combustível do empreendedorismo solo. Essa é a única ideia que ainda continua bombando em meu cérebro: as preferências pessoais não apenas importam em pequenos empreendimentos, mas são uma de suas principais fontes de energia. Esta ideia contradiz notoriamente a mentalidade de um empregado. Em uma empresa de qualquer tamanho, a preferência do chefe é o que importa e a capacidade de um funcionário de satisfazer a visão da administração é o que é mais valorizado. No entanto, em um pequeno negócio criativo, a visão do proprietário é o que o impulsiona. Ninguém mais se preocupa tanto com esse negócio do que o dono da empresa, nem é capaz de ver as metas finais também. Uma empreendimento individual é, na maioria das vezes, o espetáculo de um homem só; portanto, está intrinsecamente ligado à personalidade, objetivos, ética de trabalho e até à moral do empreendedor. Descobri que precisava adaptar conscientemente esse novo pensamento para mim, pois continuava sentindo que precisava da permissão ou aprovação de alguém para seguir em frente com minhas idéias.
Bizarro, certo? Era, e às vezes ainda é contra-intuitivo confiar em meu instinto em certas escolhas que preciso fazer sobre a direção geral de meus negócios, estratégias e criatividade. Entretanto, quanto mais trabalho em estabelecer minha empresa, mais compreendo que minha individualidade desempenha um papel fundamental em sua saúde. E isso é um pensamento maravilhosamente libertador.
Tempo
Seu tempo pode ser mais seu. Embora sendo tanto uma responsabilidade quanto um privilégio, ter a capacidade de definir sua própria agenda é outro aspecto fundamental de ser um freelancer. Em contraste, a semana de um funcionário é principalmente governada por cinco jornadas de trabalho de oito horas. Esses tempos de trabalho são estritamente mantidos e não podem ser alterados, exceto em emergências, compromissos ou outras circunstâncias especiais. O empregado tem que trabalhar para o cronograma em vez do cronograma trabalhar para o empregado.
Eu tenho o dever e o privilégio de dizer a mim mesmo quando devo trabalhar. Estar repentinamente livre das “nove às cinco” pode te levar a trabalhar muito duro e o tempo todo para tentar provar que você ainda é um indivíduo merecedor. Também pode levar a quase nunca trabalhar. Nos meses desde que comecei a trabalhar como freelancer, fiz os dois. E descobri que ambos os cenários são muito contraproducentes para o crescimento de um negócio.
Planejamento
Agora estou tentando mudar isso montando uma agenda que funcione com meus pontos fortes e fracos. Tento levar em consideração minha personalidade, meus períodos mais produtivos e os outros compromissos. Evito ficar sobrecarregado quando as coisas não saem tão rápido quanto planejei e aprendo com esses erros de planejamento. Corrijo meus planos para encontrar um sistema no qual eu consiga me manter e que possa se tornar uma fonte de produtividade sustentável com o passar das semanas, meses e anos de freelancing. O pensamento de que agora posso criar uma agenda na qual eu trabalhe melhor é outro conceito novo e desconcertante para mim.
A espera acabou
Pensando nos meus tempos de trabalho em período integral, lembro-me de sentir, na maioria das manhãs, o peso de trabalhar por obrigação e, somente ao retornar para casa ou no fim de semana realmente começava a viver plenamente. Essa mentalidade além de me desanimar, também me deixava insatisfeito às vezes quando a carreguei para a minha jornada de freelancer. Pensamentos como: "Uma vez que minha renda mensal atingir certo nível, poderei relaxar um pouco e viver", ou "Quando me estabelecer como um designer freelancer com um fluxo consistente de projetos, vou começar realmente a gostar disso ”, frequentemente passavam pela minha cabeça.
No entanto, comecei a entender que cada momento da jornada de freelancer ainda é o melhor para mim. Mesmo quando estou lutando para encontrar trabalho e tenho que sacrificar certos luxos, percebo que sou feliz. Mesmo quando as coisas não saem como planejadas ou de forma tão suave quanto as imaginei, percebo que prefiro estar fazendo isso do que qualquer outra coisa. O que mais quero é ter um estilo de vida que ofereça liberdade criativa e flexibilidade. Tendo isso, eu tenho tudo.
A verdade é que a espera acabou. Posso parar de esperar e começar a viver o sonho.
Quando entendo tal postura, tudo fica muito mais fácil. Não é mais estranho trabalhar no meio da noite, se necessário. Nem é tão difícil lutar para dar um passo extra em um projeto específico. Perceber que estou onde quero me ajuda a navegar pelas águas incertas do empreendedorismo solo de forma agradável e audaciosa.
A atitude mental correta para o trabalho
Qualquer resultado bem-sucedido deve começar com a mentalidade certa para o trabalho e essas três prioridades me ajudam a calibrar o foco em meu objetivo toda vez que me sinto desorientado na direção que estou tomando, quando não tenho certeza se estou fazendo a coisa certa para o meu negócio, ou quando meus esforços parecem fúteis. Se você ainda não pensou sobre o que pode estar atrapalhando seu progresso, em qualquer esfera que esteja, verifique os conceitos que compõem sua mentalidade e decida se ainda são os melhores companheiros em seus empreendimentos.
Pensamento feliz,
Sou designer gráfica, ilustradora e fundadora da Useful Arts. Comecei a Useful Arts para poder empregar tudo o que aprendi enquanto trabalhava em vários setores, como educação, maquiagem e até finanças, e solucionar de maneira única os quebra-cabeças visuais usando o design ilustrativo.


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terça-feira, 10 de setembro de 2019

As vírgulas que custam milhões às empresas

The commas that cost companies millions


Para a maioria das pessoas, uma vírgula perdida não é o fim do mundo. Mas em alguns casos, o posicionamento exato de um sinal de pontuação pode significar enormes somas de dinheiro.

Por Chris Stokel-Walker

23 de julho de 2018


Estamos nos despedindo de 2018 com alguns dos maiores sucessos da BBC Capital no ano passado. Com essas histórias convincentes, dicas indispensáveis e insights de especialistas, você estará pronto para tornar 2019 o melhor possível.
Quanto uma vírgula perdida pode custar?
Se você estiver enviando mensagens de texto para um ente querido ou e-mail para um colega, o custo de errar na pontuação será - na pior das hipóteses - um rosto vermelho e uma confusãozinha sem importância.
Mas, para alguns, pode significar um caminho doloroso rumo à casa da amargura.
Uma empresa de laticínios na cidade de Portland, no Maine, Estados Unidos, envolveu-se em um processo de US $ 5 milhões no início deste ano por causa de uma vírgula perdida.
Três motoristas de caminhões da Oakhurst Dairy alegaram que eram credores de anos de salários adicionais, tudo por causa da forma como as vírgulas eram usadas na legislação que rege o pagamento de horas extras.
As leis do estado declaravam que as horas extras não eram devidas a trabalhadores envolvidos em “enlatamento, processamento, conservação, congelamento, secagem, comercialização, armazenamento, embalagem para embarque ou distribuição de: 1) produtos agrícolas; 2) carne e produtos de peixe; e 3) alimentos perecíveis”.
Os motoristas argumentaram com sucesso que, como não havia vírgula após “embarque” e antes de “ou distribuição”, eles deveriam receber pagamento de horas extras. Se uma vírgula estivesse lá, a lei teria explicitamente descartado aqueles que distribuem alimentos perecíveis.

Como houve confusão, o Tribunal de Apelações dos EUA decidiu a favor dos reclamantes, beneficiando cerca de 120 dos motoristas da empresa. David Webbert, advogado que ajudou a levar o caso contra a empresa, disse aos repórteres, na época, que a inclusão de uma vírgula na cláusula "teria afundado nosso barco". (Ele não respondeu aos pedidos de entrevista da BBC.)


O menor erro de pontuação em um contrato pode ter consequências inesperadas em grande escala

O deslize mostra que o menor erro em pontuar uma cláusula de um contrato pode ter consequências não intencionais massivas.
“A pontuação é importante”, diz Ken Adams, autor de "Um manual de estilo para redigir contratos". Mas nem todas as pontuações são iguais: campos minados contratuais não são semeados com ponto e vírgula ou traços (aqui está um - ) esperando para explodir ao se tropeçar.
"Tudo se resume à vírgulas", diz Adams. "Elas são importantes, e exatamente como, vai depender do contexto."
Entregando definição
Vírgulas em contratos ligam cláusulas separadas de forma não definitiva, deixando sua leitura aberta à interpretação. Enquanto um ponto final é literalmente aquilo - uma completa e total parada para um pensamento ou sentença, e uma indicação para o começo de outro - as vírgulas ocupam um meio termo linguístico, e que é muitas vezes confuso. “As vírgulas são um aval para a confusão sobre qual parte de uma sentença se relaciona com o quê”, explica Adams.

Ocupam um meio-termo linguístico, geralmente bem confuso

A língua inglesa é fluida, em evolução e altamente subjetiva. Argumentos têm sido discutidos sobre o valor das chamadas vírgulas de Oxford (uma vírgula opcional antes da palavra “and” ou “or” no final de uma lista). Podem haver bons argumentos em ambos os lados do debate, mas isso não funciona para a lei porque é preciso ter uma resposta definitiva: sim ou não. Em acordos legais de alto risco, a forma como as vírgulas são utilizadas é crucial para o seu significado. E no caso da Oakhurst Dairy contra os motoristas de entrega, a vírgula de Oxford é julgada como tendo favorecido o propósito destes últimos.
Só porque você quer dizer alguma coisa, não significa que um tribunal concordará, diz Jeff Nobles, advogado de apelação do Texas envolvido em um processo de seguro que dependia, em parte, da pontuação de um contrato.
De acordo com Nobles, a maioria dos tribunais dos EUA dirá que realmente não importa o que as partes pretendiam subjetivamente; e sim a intenção objetiva nos termos escritos de seu contrato. “A pontuação às vezes altera o significado de uma frase”, diz ele.
Nobles representou uma companhia de seguros em um caso no Supremo Tribunal do Texas referente à cobertura de seguro para um empregado que morreu no trabalho.
Nobles argumentou, com sucesso, que a pontuação era importante para uma cláusula de indenização contratual, quando a empresa tentou acionar a cobertura sob sua apólice de seguro depois que um funcionário subcontratado morreu no trabalho. Isso estabeleceu um precedente no sistema legal do estado, ele acredita.
O advogado diz que os tribunais dos EUA se tornaram cada vez mais textuais - "eles olham cada vez mais para as palavras registradas no papel, em vez do testemunho das pessoas que registraram essas palavras no documento."
No entanto, as discussões sobre as vírgulas acontecem há mais de um século.
Uma vírgula cara
Em 1872, uma lei tarifária americana com uma vírgula indesejada custou aos contribuintes cerca de US $ 2 milhões (o equivalente a US $ 40 milhões hoje). A Lei de Tarifas dos Estados Unidos, como originalmente redigida em 1870, permitia que “plantas frutíferas, tropicais e semi-tropicais com propósitos de propagação ou cultivo” estivessem isentas de tarifas de importação.
Por uma razão desconhecida, quando revisada dois anos depois, uma vírgula vadia deslizou entre “frutíferas” e “plantas”. De repente, todas as frutas tropicais e semi-tropicais puderam ser importadas sem qualquer custo.

Membros do Congresso dos EUA debateram a questão e o problema foi resolvido – mas não antes do New York Times lamentar o uso de “Uma Vírgula Cara”. 

Não seria o último erro desse tipo.

Linguagem de contrato é como código de software: faça certo e tudo funciona bem. Mas cometa um erro de digitação e a coisa toda desmorona

“A linguagem dos contratos é limitada e estilizada”, diz Adams. Cabe uma comparação com código de software: faça certo e tudo funciona bem. Mas cometa um erro de digitação e a coisa toda desmorona.
Quando erros são introduzidos em documentos legais, provavelmente serão notados muito mais do que em qualquer outra forma de escrita, diz ele. “As pessoas são mais propensas a brigar em razão de instâncias de ambiguidade sintática do que em outros tipos de escrita.”
Nublando as águas
É claro que, em algumas circunstâncias, as elaborações de contratos podem introduzir ambiguidades. Conseguir que diferentes países assinem os mesmos princípios pode ser um desafio, particularmente para os acordos sobre mudanças climáticas.
Convenções iniciais sobre mudanças climáticas incluíram esta linha:
“As partes têm o direito a, e devem, promover o desenvolvimento sustentável.”
A sentença garante que os signatários do acordo têm a capacidade de promover o desenvolvimento sustentável – e devem fazê-lo.
Mas em sua versão original, a segunda vírgula foi colocada depois da palavra “promover”, não antes dela:
“ As partes têm o direito a, e devem promover, o desenvolvimento sustentável."
Alguns países não ficaram satisfeitos com a redação original porque não queriam necessariamente ficar presos à promoção do desenvolvimento sustentável. Mover a vírgula manteve os pessimistas felizes enquanto aplacava aqueles que queriam uma ação mais forte.

"Sendo um tanto quanto criativo com a pontuação, os países puderam sentir que seus interesses foram abordados", explica Stephen Cornelius, assessor-chefe sobre mudanças climáticas da WWF, que representou o Reino Unido e a UE nas negociações da ONU sobre mudanças climáticas. "Você está tentando chegar a um acordo no qual as pessoas possam concordar substancialmente."


Truques de negócios

Essa flexibilidade linguística acontece com mais frequência do que se imagina.
“Na diplomacia, mesmo que se tente um único acordo, é muito comum haver significados diversos para diferentes partes”, diz a negociadora de mudança climática Laura Hanning Scarborough. “Pode se usar termos como 'inter alia', ou 'isso inclui, entre outras coisas', para desfocar as linhas e incluir qualquer coisa. Você pode usar vírgulas como parte disso também. Existem muitos truques de linguagem que se usam para apaziguar as pessoas. ”
Para a maioria dos envolvidos, no entanto, é importante garantir que os contratos não sejam ambíguos. Por essa razão, é crucial testar a linguagem contratual ao ponto de ruptura, dando-a a alguém que testará seus limites - alguém que a lerá da maneira mais inadequada e inútil, diz Tiffany Kemp, instrutora de contratação comercial da Associação Internacional para Contrato e Gestão Comercial.
Uma das maiores batalhas em torno de uma vírgula foi uma disputa entre duas empresas de telecomunicações canadenses. A Rogers Communications e a Bell Aliant travaram uma batalha legal no valor de CAD$ 1 milhão (US $ 760.000) por um contrato para substituir postes de serviços públicos em todo o país.
A argumentação foi provocada por uma única frase:
“ Este contrato será efetivo a partir da data em que é feito e continuará em vigor por um período de cinco (5) anos a partir da data em que é feito, e posteriormente por períodos sucessivos de cinco (5) anos, a menos e até que seja rescindido por notificação prévia de um ano escrita por qualquer das partes."
Os dois lados argumentaram que a vírgula depois de "cinco (5) anos" significava algo diferente: a Bell Aliant disse que o aviso prévio de um ano para o término seria aplicado a qualquer momento; Rogers só o aplicava após o primeiro mandato de cinco anos.
Isso era importante, já que Rogers havia investido muito com base na sua leitura do contrato: quando assinaram um contrato para arrendar os postes da Bell Aliant em 2002, estavam pagando apenas CAD $ 9,60 por poste. Em 2004, o custo quase dobrou. A Bell Aliant, compreensivelmente, queria rescindir o contrato e renegociar com o novo preço mais alto. Rogers não.
Tribunais sucessivos estavam igualmente incertos sobre o acordo: a Comissão de Rádio-Televisão e Telecomunicações do Canadá declarou pela primeira vez a favor da Bell Aliant em 2006; um ano depois, mudou de ideia após consultar a versão em francês do contrato, que não incluía a mesma ambiguidade.
Essa disputa não foi provocada por má fé, avalia Kemp. “Às vezes há entendimentos genuinamente diferentes”, explica ela. “Essa pequena vírgula foi colocada em um local adequado a uma pausa para respirar, caso estivéssemos lendo em voz alta.”
Pontuação mortal
Como podem essas vírgulas mal colocadas ou usadas incorretamente fazerem parte de contratos complicados elaborados por profissionais? Parte do problema, diz Adams, é a tecnologia. “A elaboração de contratos vem sendo uma antiga prática de copiar e colar de documentos precedentes, e isso resulta em uma espécie de negligência, um distanciamento do âmago da questão de se expressar o que realmente se deseja expressar”, diz ele. "É fácil descartar esse tipo de problema."

Em um exemplo extremo, uma vírgula fora de lugar ocupou o centro das atenções em um julgamento de pena de morte

Em um exemplo extremo, uma vírgula fora de lugar estava no centro de um julgamento por pena de morte. Roger Casement, um nacionalista irlandês, foi enforcado em 1916 por força do Ato de Traição 1351. Ele incitou os prisioneiros de guerra irlandeses mantidos na Alemanha a se unirem para lutar contra os britânicos. O debate sobre se Casement era culpado dependia da redação do Ato de Traição datado do Século XIV e do uso de uma vírgula: com isso, as ações de Casement na Alemanha eram ilegais; sem isso, ele se safaria.

Apesar da afirmação do advogado de Casement de que "os crimes não devem depender do significado de pausas ou de vírgulas", e "se um crime dependesse de uma vírgula, o assunto deveria ser determinado em favor do acusado, e não da Coroa", o tribunal decidiu que a vírgula importava. Casement foi considerado culpado e executado.

Embora hoje a vida e a morte não dependam do uso de vírgulas - muito dinheiro, apólices de seguro e acordos ambientais certamente dependem.
Por essa razão, é importante verificar com cuidado todos os contratos que assinamos, dizem os especialistas - e isso significa não apenas esmiuçar os termos, mas também garantir que cada vírgula esteja no lugar correto.
As pessoas assinam contratos não porque negociaram seus significados, mas com base em seu próprio entendimento sobre com o que estão concordando, explica Nobles. Contratos escritos por advogados em nome de um negócio podem ter um significado diferente do que o leigo entende.
Então, vale a pena prestar atenção. Se uma pontuação parecer fora de lugar ou apresentar ambiguidade, fale.
“O objetivo de um contrato é ajudar as pessoas a obterem os resultados desejados e saberem o que devem fazer e esperar da outra parte”, diz Kemp.
“Se há um mal-entendido, as partes devem agir para resolver o problema. Tenha a discussão hoje, em vez de deixar para amanhã."
Isso pode evitar muita dor no futuro.
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