terça-feira, 3 de março de 2020

Ensino de tradução: a importância da língua nativa do tradutor




No processo de tradução, os estudantes frequentemente negligenciam a importância do conhecimento da sua língua materna. Ao selecionar o vocabulário apropriado, tendem a usar uma linguagem coloquial para o texto escrito. Frequentemente, também, ignoram fatores culturais; o que poderia tornar inadequadas as suas traduções. Um novo modelo de ensino, inspirado na análise de Bassnett (2002) dos anúncios de bebidas alcoólicas, foi projetado para a prática dos alunos em sala de aula. Tais alunos avaliaram seu processo de tradução usando um método multidisciplinar proposto por Newmark (1988). Os praticantes aprendem a reconhecer como a tradução funciona usando estratégias eficazes para resolver problemas de tradução. Foram investigados os problemas enfrentados pelos estudantes de Taiwan enquanto traduziam um texto do espanhol para o chinês durante um curso de tradução do primeiro ano no nível B1 da Universidade de Tamkang.

Em Taiwan, a maioria das pesquisas sobre tradução se concentrava em estudos comparativos entre textos ou nos comentários de um autor individual sobre as próprias traduções. Pouco se sabe sobre os problemas metodológicos no ensino, especialmente na área de tradução entre espanhol e chinês. De fato, a investigação dos métodos de ensino é uma questão urgente; os resultados de tal investigação contribuiriam muito para o ensino da tradução não apenas para os professores, mas também para os estudantes de Taiwan, aprendizes da língua espanhola. Este estudo discute primeiro o fato de que os alunos geralmente ignoram a importância do conhecimento de sua língua materna, e depois examina como um novo modelo de ensino pode ajudar os alunos a analisarem e avaliarem seu processo de tradução usando uma abordagem multidisciplinar proposta por Peter Newmark (1988). Esse novo modelo de ensino foi inspirado na análise de Susan Bassnett (2002) dos anúncios de bebidas alcoólicas, que será explicada em uma parte posterior deste artigo. Os estudantes enfrentam problemas de tradução não apenas linguisticamente, mas também culturalmente. No final da discussão em classe, os alunos aprenderam a reconhecer como a tradução funciona, usando estratégias eficazes para resolver problemas de tradução. O método tradicional de ensino da tradução envolve o professor dando aos alunos artigos para leitura. O professor, então, pedia aos alunos que realizassem a tradução oralmente na aula ou como tarefa de casa. O resultado é que muitos estudantes tendem a confiar excessivamente na versão do professor, em vez de confiarem em seu próprio trabalho. Geralmente, ao cometerem erros ao traduzir, perdiam boa parte da motivação para aprender. Passavam a considerar a versão do professor como o "padrão-ouro" e tentavam memorizá-la o máximo para fins de exames. Visando dar atenção ao estilo pessoal de pensamento e de escrita, seria necessário fornecer aos alunos um novo modelo de prática da tradução. O objetivo de projetar uma nova atividade orientada a tarefas seria orientar os alunos passo a passo a pensar e avaliar seu processo de tradução, empregando todas as estratégias que aprenderam em sala de aula. A Interpretação e Tradução (I) é um curso de um ano com um total de 72 horas de ensino no nível B1. Cada semestre tem 18 semanas e há uma aula de duas horas por semana. Na décima-segunda semana do primeiro semestre de 2014, selecionou-se um anúncio sobre uísque, em espanhol, para a prática de tradução dos alunos. Exigia-se que o texto fosse curto, para que o trabalho de tradução pudesse ser concluído dentro das duas horas de aula. Os alunos foram divididos em quatro grupos de quatro ou cinco e solicitados a traduzirem o anúncio para o idioma chinês. Depois de concluírem a tarefa, avaliaram tanto as próprias traduções como as dos demais alunos.


Métodos de tradução


A teoria de Newmark (1988) é recomendada por Rosa Rabadán no estágio inicial da teoria da tradução. Segundo Rabadán, Newmark é mais conhecido por sua teoria, que é uma abordagem abrangendo áreas práticas e acadêmicas (Rabadán, 2005: pp. 23-24). Segundo Newmark, existem oito métodos de tradução úteis para o ensino da tradução. A primeira categoria de métodos de tradução concentra-se no idioma de origem (SL): 1) tradução palavra a palavra, 2) tradução literal, 3) tradução fiel, 4) tradução semântica. A segunda categoria de métodos de tradução concentra-se no idioma alvo (TL): 5) adaptação, 6) tradução livre, 7) tradução idiomática, 8) tradução comunicativa (Newmark, 1988: pp. 45-47). Newmark sugere que apenas as traduções semântica e comunicativa atenderiam aos dois principais objetivos da tradução: precisão e economia. Geralmente, uma tradução semântica é escrita no nível linguístico do autor e uma tradução comunicativa no nível comunicativo do leitor (Newmark, 1988: p. 47).Comentando sobre equivalência e efeito equivalente, Jeremy Munday (2001) aponta que a descrição da tradução comunicativa é semelhante à equivalência dinâmica de Nida (1964) no efeito que está tentando criar no leitor TL, enquanto a tradução semântica se assemelha à equivalência formal de Nida. No entanto, Newmark se distancia do princípio pleno do efeito equivalente (Munday, 2001: p. 44). A equivalência formal de Nida "concentra a atenção na própria mensagem, tanto na forma quanto no conteúdo" (Nida, 1964: p. 159). E sua equivalência dinâmica é baseada no “princípio do efeito equivalente”, onde “a relação entre receptor e mensagem deve ser substancialmente a mesma que existia entre os receptores originais e a mensagem” (Nida, 1964: p. 159).Para continuar a discussão dos problemas de equivalência, Bassnett (2002, p. 29) argumenta que “a tradução exata é impossível” e prefere a teoria de “processo e produto” de Neubert (1967) (32). Segundo Bassnett, a teoria da equivalência da tradução de Neubert é considerada uma categoria semiótica que compreende três componentes: o sintático, o semântico e o pragmático. Entre eles, o componente semântico é o mais importante: “A equivalência geral resulta da relação entre os próprios signos, a relação entre signos e o que eles representam, e a relação entre signos, o que eles representam e quem os usa” (Bassnett , 2002: p. 34). Este estudo de “signos” ou semiótica é de grande valia para futuras pesquisas na tradução entre espanhol e chinês. Embora a análise de Bassnett (2002) aborde principalmente o uso do inglês, o conceito de decodificação e recodificação é aplicável ao uso do chinês. Vale a pena prestar atenção ao que ela sugere ao tradutor que deve: 1) Aceitar a intraduzibilidade da frase SL no TL [no] nível linguístico.2) Aceitar a falta de uma convenção cultural semelhante no TL.3) Considerar o leque de frases TL disponíveis, [no que diz respeito] à apresentação de classe, status, idade, sexo do falante, sua relação com os ouvintes e o contexto de sua reunião no SL.4) Considerar o significado da frase em seu contexto particular - isto é, como um momento de alta tensão no texto dramático.5) Substituir no TL o núcleo invariável da frase SL nos seus dois sistemas referenciais (o sistema particular do texto e o sistema de cultura do qual o texto surgiu) (2002, pp. 29-30).Bassnett (2002) argumenta que é imoral contratar ou omitir expressões difíceis nas traduções. Bassnett também acredita que a visão funcional deve ser adotada no que diz respeito não apenas ao significado, mas também ao estilo e forma, e sugere que o tradutor não pode ser o autor do texto do SL; antes, como autor do texto da TL, o tradutor tem uma clara responsabilidade moral para com os leitores da TL (30).Após a apresentação de alguns importantes trabalhos teóricos acima, deve-se notar que o objetivo do uso dos métodos de ensino de Newmark (1988) é ajudar os estudantes de Taiwan a entender a essência da tradução, para que eles não sejam traduzidos pela memória, mas pela aplicação de métodos de tradução. As técnicas sofisticadas usadas na prática por especialistas em tradução são de importância secundária neste curso. Como os alunos estão no estágio inicial do aprendizado de tradução, sugere-se que os professores orientem seus alunos através de exemplos práticos com tópicos relacionados à sua vida cotidiana.

Os estudantes de Taiwan estão sem paciência para a leitura e a escrita? 

Ao que parece, não gostam de fazer perguntas durante as aulas. Quando são questionados, geralmente dão de ombros e dizem: "Eu não sei". A impressão é que seria necessário um esforço significativo para despertá-los e fazer com que pensem para responder à pergunta. Ao traduzir, parece que seu único desejo é uma solução rápida, sem um investimento mais cuidadoso no pensamento. Durante os exames, a maioria dos estudantes entrega seus trabalhos imediatamente após a conclusão. Pouquíssimos alunos ficam na sala de aula para verificarem suas respostas. Uma explicação possível para a baixa proficiência dos estudantes universitários de Taiwan em leitura e escrita em chinês é o tempo excessivo que passam em seus telefones celulares ou navegando na Internet todos os dias. Segundo Ramos (2012), o uso frequente da Internet tornou a concentração uma tarefa difícil para os estudantes de Taiwan (247). Os estudantes de Taiwan tendem a navegar na Internet não para ler artigos, mas para assistir a filmes e se comunicar com os amigos usando muito o recurso oral. Newmark explica que os alunos tradutores ignoram facilmente o fator de leitura do texto: O texto médio para tradução tende a ser para um público educado e de classe média em um estilo informal, não coloquial. A variedade mais comum de erro "marcado" no registro entre os alunos tradutores tende a ser "coloquial" e "íntima", por exemplo, uso de frases como "mais e mais" para "cada vez mais"... O outro erro comum, uso de registro formal ou oficial (por exemplo, "falecimento" para "morte"), também mostra sinais de tradução amadora. Esses sinais de linguagem tipificam os alunos tradutores que não atentam para o público-alvo de suas traduções; e podem indicar o grau de conhecimento, o interesse no assunto e na cultura apropriada, ou seja, como estão motivados. Tudo isso o ajudará a decidir sobre o grau de formalidade, generalidade (ou especificidade) e tom emocional que você deve expressar ao trabalhar no texto (1988, p. 13).No processo de tradução, os alunos geralmente negligenciam a importância do conhecimento de sua língua nativa. Os alunos também costumam ignorar fatores culturais; o que tornaria sua tradução inadequada. Os estudantes tradutores precisam considerar cuidadosamente o estilo do idioma escolhido e levar em consideração fatores culturais específicos. Bassnett (2002) sugere a importância dos elementos culturais na tradução: a linguagem, portanto, é o coração no corpo da cultura e é a interação entre as duas que resulta na continuação da energia da vida. Do mesmo modo que o cirurgião, operando um coração, não pode negligenciar o corpo que envolve o órgão; o tradutor não deve tratar o texto isoladamente da cultura (2002, p. 22).


 Estudo de Caso


Esse novo modelo de ensino foi inspirado na análise de Susan Bassnett (2002) de dois anúncios, um para o uísque escocês e outro para o Martini. Em um jornal britânico de domingo, a propaganda de uísque representava qualidade, pureza e status social, enquanto a propaganda de Martini representava glamour, emoção, estilo de vida moderno e juventude. No entanto, em uma revista semanal italiana que anunciava os mesmos dois produtos, o Martini foi representado como um produto tradicional e o Scotch como uma novidade, de modo que as imagens apresentadas com os produtos eram exatamente o contrário do anúncio britânico (Bassnett, 2002 : p. 35). Adotei a ideia de que um anúncio de bebidas alcoólicas poderia ter diferentes significados culturais em diferentes culturas. Portanto, traduzir um anúncio de uísque, do espanhol para o chinês, seria interessante e desafiador para os meus alunos como um novo modelo de ensino. Para a tarefa, os alunos foram solicitados a traduzir o anúncio do uísque em espanhol para o chinês durante a aula (acessado em 30 de outubro de 2014: http://todowhisky.blogspot.com/ 2008/12 / publicidades- de- Whisky-chivas- regal- 12). html). O anúncio era um material de ensino ideal para esta tarefa, devido ao comprimento e à densidade do estilo de escrita. Esperava-se que os estudantes empregassem todas as estratégias de tradução que aprenderam em sala de aula, incluindo os oito métodos de tradução propostos por Newmark (1988).


Uma atividade orientada à tarefas


Esse exercício de tradução de anúncios constitui-se em uma atividade orientada a tarefas. Um método chamado Ensino de Idiomas Baseado em Tarefas (TBLT) foi originalmente criado por Prabhu para ensinar inglês como um segundo idioma em Bangalore, no sul da Índia (conforme citado em Candlin, 1987). De acordo com D. Li (2013), essa abordagem provou ser um método eficaz para o ensino de uma língua estrangeira: A premissa inicial é que os alunos aprendam mais efetivamente quando suas mentes estão focadas na tarefa que estão tentando concluir do que na língua que estão aprendendo. Nessa abordagem o foco é colocado nos alunos, no processo de aprendizado, na prática reflexiva do aprendizado e no uso de tarefas autênticas do mundo real (Li, 2013: p. 7).O processo dessa abordagem orientada a tarefas consistiu em seis etapas de ensino: pré-tarefa, tarefa, relatório, análise, revisão e reflexão (2013, p. 8). A atividade de tradução que eu projetei atendeu aos requisitos de D. Li em relação à filosofia do TBLT: 1) O foco está no aluno e no professor.2) Os alunos constroem seus próprios conhecimentos através da experiência e reflexão.3) O foco está mais no aprendizado do que no ensino; a ênfase é colocada no desenvolvimento das habilidades críticas e de resolução de problemas dos alunos.4) Os alunos interagem com os colegas e com o professor.5) O professor atua como um facilitador.6) Os alunos aprendem (constroem conhecimento) por meio de interações com colegas, professor e materiais.7) Os alunos assumem a responsabilidade por seu aprendizado, o que leva a um maior senso de propriedade e a uma maior motivação sobre o aprendizado.8) Materiais e contextos autênticos (ou simulados) são adotados no ensino.Li, 2013: p. 3).Deve-se notar que, como professor, eu não forneci minha própria versão da tradução para os alunos. Isso foi para que os alunos se sentissem livres para criar o próprio trabalho. No entanto, os alunos poderiam me consultar sobre o significado de uma palavra ou uma interpretação do texto se tivessem alguma dúvida. A vantagem era que os alunos não seriam influenciados pelo outro autoral, ou seja, pelo professor. Além disso, os alunos precisariam resolver sozinhos os problemas que surgem no processo de tradução.

(...)

Conclusão

Este estudo de caso de tradução de anúncios demonstrou que os alunos tradutores foram capazes de aprender a importância da leitura e escrita em chinês no processo de tradução. Além disso, experimentaram as vantagens de empregar métodos de tradução e estratégias de tradução para chegar a um resul ideal. Agora, eles prestam atenção não apenas à forma, mas também ao estilo do idioma ao traduzir. Mais importante, os alunos aprenderam a levar em consideração os elementos culturais ao tomar decisões no processo de tradução. A aplicação dos oito métodos de tradução da Newmark provou ser útil para os estudantes tradutores resolverem problemas de tradução. Os alunos encontraram não apenas confiança, mas também interesse no mundo da tradução.


Fonte: https://www.scirp.org/journal/paperinformation.aspx?paperid=68629

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segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

Humano X Máquina - Será a Inteligência Artificial responsável pelo declínio do tradutor humano?


Esperamos que não, embora haja tantas mudanças em andamento neste momento.

Quem diria que o advento da Internet sinalizaria o declínio gradual das lojas de tijolos e cimento, ou que os Smartfones nos transformariam em fotógrafos sem a necessidade de câmeras de alta qualidade?

Em seguida, a possibilidade de veículos autônomos que não requerem motoristas para entregar mercadorias. 
Os impactos dessas mudanças nos empregos e na vida quotidiana são inúmeros.
A velocidade do progresso é um enorme desafio até mesmo para as empresas mais competentes; assim, qual será o impacto da IA sobre os seres humanos que fazem tradução?
Serão substituídos? 
Alguns pensam que sim, e empresas como a nossa ficam de orelha em pé ao perceberem o enorme rolo compressor vindo firmemente em nossa direção.

Mas ainda não nos atingiram!
HUMANOS versus MÁQUINAS?

A tradução automática (MT) não é uma tecnologia nova: a primeira demonstração pública ocorreu em 1954 quando um punhado de sentenças russas foram traduzidas para o Inglês, ao vivo, na IBM de Nova Iorque.
Desde então, a MT tem dado passos largos, poupando tempo e dinheiro valiosos e oferecendo outros benefícios para as organizações em vários setores.
No entanto, sistemas MT ainda não se adequam a todos os tipos de negócios ou documentos.
TIPOS DE MT
• Estatísticos (SMT) – baseiam-se em enormes bancos de dados de traduções existentes, e algoritmos que procuram pela tradução mais provável a partir de partes de frases, conhecidas como n-gramas (palavras são quebradas em segmentos curtos e funcionam de forma semelhante à tecnologia sat-nav tirados de um banco de dados de n–gramas falados - daí a ocasional pronúncia ruim de nomes de lugares). As palavras são agrupadas de 3 em 3 - por exemplo - uma sentença de 6 palavras seria composta de dois conjuntos de segmentos precisos de 3 gramas cada, não necessariamente combinando para fazer um conjunto fluente.

• Neural (NMT) – também conhecido como 'MT de aprendizagem profunda', que fornece uma saída mais sofisticada e natural. O NMT analisa frases inteiras e reconhece semelhanças de palavras. É ideal para linguagens onde frases são frequentemente invertidas, como o alemão. No entanto, este não é necessariamente o Santo Graal, pois só pode traduzir frases individuais que não necessariamente funcionam bem juntas como um todo, e é preciso muito mais 'aperfeiçoamento de máquina' para produzir bons resultados.

• Máquinas Híbridas – mistura de dois métodos diferentes para aperfeiçoar as traduções.

Ao considerar a tradução automática, faça a si mesmo duas perguntas:
1. O que você está traduzindo?
Os sistemas MT lidam bem com documentos técnicos e manuais de instruções, por exemplo, mas não são adequados para documentos de estilo mais criativo e de marketing.
2. Quem vai ler as traduções?
Tradução de máquina que não foi post-editada provavelmente não será boa o suficiente para os seus clientes ou usuários finais. Eles precisam de informação clara e acessível, e o MT ainda não atingiu tal fase de desenvolvimento.
Mas, caso esteja apenas compartilhando informalmente alguns documentos com colegas, é possível que a MT seja uma solução perfeita - pois você só precisará da essência de um relatório, por exemplo.
QUANDO SOMENTE O TOQUE HUMANO RESOLVE
Um bom uso para os resultados da tradução de máquina é combiná-la com a pós-edição humana, então você obterá os benefícios da tecnologia aliada à precisão da tradução humana.
No entanto, existem determinados conteúdos onde apenas um ser humano vai funcionar bem, tais como:
• Conteúdo criativo – marketing e páginas web
• especialidades técnicas ou assuntos científicos
• em línguas menos faladas com corporas reduzidos, insuficientes para a montagem de MTs eficientes.

E então existe o lado cultural - usuários finais com diversos tipos de bagagens culturais e, conquanto uma MT possa fornecer uma tradução literal, será um longo caminho até entender todas as nuances das linguagens e as diferenças culturais. 

Apenas um tradutor humano é capaz de adaptar conteúdo específico de cultura para atender a um público-alvo em particular.

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segunda-feira, 16 de dezembro de 2019

Inglês, idioma dominante. Até quando?



Inglês: Continuará sendo o idioma global dominante?

O inglês é uma das línguas mais faladas no mundo; sendo usado como idioma global para negócios e, geralmente, servindo de elo entre pessoas de idiomas distintos que desejam se comunicar.

De fato, o British Council estima que o inglês seja falado por cerca de 1,75 bilhão de pessoas, quase um quarto da população mundial. Mas menos de 400 milhões podem considerar o idioma como a sua primeira língua.
O inglês foi adotado como língua franca em uma ampla gama de indústrias globais e a opção  mais popular entre os que desejam aprender um segundo idioma. O serviço estatal francês de notícias, France 24,o utiliza como padrão, além de ser um dos idiomas de trabalho da União Europeia, é amplamente empregado em regiões da Ásia.

A China possui cerca de 350 milhões de pessoas que têm algum conhecimento de inglês, enquanto na Índia são cerca de 100 milhões. Também não podemos esquecer a divisão de idiomas quando se trata da Internet. Quer você esteja pesquisando produtos, lendo um artigo sobre comércio eletrônico ou comprando um videogame, as chances de acesso a mais opções e de ter uma melhor experiência são maiores caso possua uma boa compreensão do inglês.

A expansão do inglês tem suas raízes no desenvolvimento do Império Britânico, bem como na expansão industrial dos EUA, e ocorreu dentro de um período relativamente curto de pouco mais de um século para obter a aceitação internacional. Desde o final da Primeira Guerra Mundial e o colapso do Império Britânico, o Reino Unido foi substituído pelos EUA como o poder econômico global dominante, aumentando o alcance do idioma inglês.

As realizações econômicas e políticas dos EUA entre as décadas de 1920 e 1990 levariam o primo da Grã-Bretanha a se tornar a principal influência nas áreas de engenharia, telecomunicações, mineração, marketing, ciência e finanças, à medida que o dólar substituísse a libra esterlina como a moeda de reserva dominante do mundo até o final do século 20.

Além disso, a revolução digital criou oportunidades baseadas no Vale do Silício na virada do século XXI, que aumentaram o alcance da cultura americana por meio de serviços de mídia social, vídeo e streaming de música. É essa enorme influência socioeconômica que coloca o inglês no cenário mundial como o idioma para negócios e entretenimento.

Mas em uma época em que o conteúdo digital localizado é cada vez mais procurado em países onde o inglês não é amplamente falado, é possível assumir que a supremacia do inglês como idioma global esteja em declínio?

Tecnologia mudando a maneira como usamos o inglês

Nos últimos cinco anos, vimos alguns avanços impressionantes no campo da tradução automática e da tecnologia de reconhecimento de voz. Empresas como Waverly Labs, Lingmo International e Google lançaram dispositivos portáteis que permitem aos usuários aproveitar a tradução em tempo real em qualquer lugar.
O conteúdo online passou pelo mesmo processo. Com alguns cliques, você pode traduzir facilmente o conteúdo do inglês para mais de 250 idiomas.

Mas isso realmente significa que o conteúdo em inglês será muito menos consumido no futuro? Afinal, em alguns países com grandes populações, como a Índia, Brasil e China, os videogames e a música pop em inglês continuam com alta demanda e o entendimento do inglês ainda tem vantagens na condução de negócios internacionais, mesmo quando tais nações continuem se desenvolvendo rapidamente em termos de poder econômico, militar e político.
Como resultado, assim como os EUA atualmente e o Reino Unido no passado, suas influências linguísticas e culturais também poderão ser sentidas no cenário mundial no futuro.

Influência da China na África

A China se tornou a fábrica do mundo, exportando mais bens do que os EUA, mas também começou a se diversificar em diferentes indústrias, incluindo o setor de tecnologia. Mas é no continente africano que você encontrará alianças improváveis. Nas últimas duas décadas, a China surpreendentemente se tornou o maior parceiro econômico da África. De fato, desde a virada do milênio, o comércio entre a China e a África aumentou impressionantes 20% ao ano.

Os produtos fabricados na China, incluindo eletrônicos e roupas, são cada vez mais procurados no continente africano. Você também encontrará um número crescente de fábricas chinesas em países como Ruanda, Nigéria, Etiópia e Camarões. E se você é nativo da África subsaariana, talvez seja melhor aprender chinês mandarim e procurar oportunidades na China do que apostar suas fichas na caça de um emprego no Reino Unido ou nos EUA.

A presença chinesa na África também teve um impacto maciço na educação, na diplomacia e nos negócios. Milhares de estudantes africanos em todo o continente recebem bolsas do governo para estudar na China todos os anos. Além disso, o governo chinês fez investimentos consideráveis em mais de 40 escolas de idiomas em todo o continente (e em outros países ao redor do mundo) para ensinar cultura chinesa e mandarim através de sua rede do Instituto Confucius.

É uma mensagem clara aos países de língua inglesa de que a China tem influência econômica, cultural e linguística fora da Ásia.

Olhando para o futuro

Com a ascensão da China como uma superpotência global em um mundo cada vez menor, a disseminação de idiomas híbridos e tecno-empresas que aperfeiçoam a próxima geração de tecnologia, podemos realmente ver um futuro em que o reinado do inglês será substituído? Poderíamos ver um futuro onde o inglês retém o poder como idioma dominante, mas abre espaço para outros idiomas nas esferas econômica e política, especialmente após a saída dos britânicos da UE em 2019.

Alguns linguistas acreditam que devido ao movimento de pessoas, juntamente com o fato de línguas nativas não serem passadas para as gerações mais jovens, haverá uma queda significativa no número de idiomas globais falados no futuro. Isso poderá levar a um futuro em que apenas alguns poucos idiomas serão considerados linguagens globais dominantes, com 90% dos idiomas sendo extintos devido à migração e assimilação.

Escrito por Demetrius Williams.
  
Demetrius Williams é um especialista em marketing digital da TranslateMedia e tem experiência em comércio eletrônico, trabalhando com várias marcas de luxo na indústria da moda e beleza. É apreciador de fotografia, assiste às séries do Netflix e pode ser encontrado com uma câmera na mão em seus deslocamentos por Londres.

Fonte: https: //www.translatemedia.com/translation-blog/english-continue-dominant-global-language/


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segunda-feira, 11 de novembro de 2019

Relação dos problemas que os linguistas ainda não resolveram

fonte da foto:Wikipédia

Relação dos problemas que os linguistas ainda não resolveram


Traduzido por Eduardo Rodrigues


A Linguística, como área de estudo, floresceu muito além do que seus fundadores imaginaram, provocando uma revolução cognitiva que começou nos anos 50 e se estende até hoje. Foi a linguística que nos proporcionou um aprendizado nunca antes experimentado sobre as línguas humanas, desde suas origens, por que existem tantas e como usar a linguagem para solucionar crimes. Além disso, a linguística nos forneceu informações bastante convincentes sobre a natureza da mente humana, como construir máquinas falantes, como treinar pessoas com dislexia para que possam ler, como reparar funções cerebrais que pertencem à linguagem etc. É uma façanha impressionante.
Há apenas um grande problema: os principais mistérios da linguagem que a linguística se propõe a desvendar continuam tão insondáveis quanto antes. Muitos problemas fundamentais da linguística ainda não foram resolvidos. Você ficaria surpreso ao saber quão pouco sabemos sobre questões importantes no estudo da linguagem. É disso que trata o presente artigo. Então, vamos a esses problemas ainda não resolvidos:

A aptidão da linguagem:

Nossa capacidade de aprender idiomas é de longe a propriedade que mais define a condição humana. Mas sabemos muito pouco sobre essa capacidade; não sabemos exatamente o que distingue a linguagem humana de outros sistemas de comunicação encontrados nas demais espécies. Parentes mais próximos dos humanos, como gorilas e chimpanzés, demonstraram uma notável capacidade de aprender e usar a linguagem de sinais. Em um experimento meticulosamente projetado, Koko, o gorila, foi capaz de aprender, ao longo dos anos, centenas de sinais e também a combinar muitos deles em frases. Um livro que detalha todas as etapas desse experimento pode ser encontrado aqui.
De forma semelhante, o canto dos pássaros e sua capacidade em adquirir e usar determinadas chamadas foram demonstrados para comprovar propriedades sintáticas notáveis. Um artigo científico fascinante que expõe essa capacidade pode ser encontrado aqui. Papagaios mostram uma habilidade notável de pronunciar uma grande variedade de sons humanos. As abelhas e suas danças também são algo interessante do ponto de vista linguístico. Se o reino animal é abundante em sistemas de comunicação comparáveis, de alguma forma, aos humanos, então, a diferença entre a nossa habilidade da fala e a de outras espécies é apenas qualitativa. A questão com a qual os linguistas se debatem é: O que distingue a linguagem humana dos sistemas de comunicação de outros animais?
A outra é: Quão especial é a linguagem? Existem aspectos da linguagem que são completamente únicos e distintos do restante do nosso sistema cognitivo, ou a linguagem é, em última instância, uma combinação especial das muitas funcionalidades de domínio geral que os seres humanos já possuem? Nós realmente não sabemos.

Aprendizagem de idiomas:

O modo como os adultos aprendem o idioma é bem difícil! Obviamente, a questão de como os bebês aprendem a língua é fundamental, mas como os adultos aprendem uma segunda ou terceira língua também é um quebra-cabeça intrigante. Eles usam, em menor escala, os mesmos mecanismos que os bebês ou aprendem um novo idioma de maneira diferente? Quais são alguns dos prenunciadores do sucesso na aprendizagem de idiomas por adultos?
O que é fluência? Fluência é um conceito fundamental em linguística, subjacente a muitas suposições, mas não acredito que exista uma definição operacional clara. Falamos coisas como “todo bebê podem se tornar fluente em qualquer idioma” ou, “crianças são fluentes em sua língua nativa aos 5 anos” e assim por diante, sem uma definição precisa do que significa fluência.

Modelando e medindo a linguagem:

Qual é o modelo ideal para reconstruir linguagens filogeneticamente? Ainda há muito debate sobre como as relações de linguagem (muitas vezes estruturadas como árvores) deveriam ser melhor construídas, uma vez que existem coisas na linguagem que de fato não existem na biologia evolutiva (a fonte das árvores linguísticas), como contato com a linguagem, empréstimos e assim por diante. Associar o tempo às árvores também é um grande quebra-cabeça controverso, tal como a idade da Indo-europeia.
Como podemos medir a complexidade do idioma? Novamente, um conceito-chave em linguística, mas sem uma definição operacional clara, impedindo-nos de responder se algumas línguas são mais complexas que outras. Tentativas de fazê-lo (por exemplo, J Nichols) são um grande passo adiante, mas claramente muito aquém de uma definição abrangente.

Idioma em contexto:

Quais são as interações entre linguagem, cultura e pensamento? Esta é uma das difíceis. Isso está parcialmente enquadrado pela hipótese Sapir-Worph, mas creio que a questão é muito maior. Como a linguagem influencia a cultura? A cultura pode influenciar o pensamento? Como os três interagem?

Linguagem e cérebro:

Essa é provavelmente a área de maior sombreamento na linguística. O “o que acontece no cérebro durante o exercício da linguagem?” é bem amplo, e pode ser dividido em perguntas mais detalhadas, como:
Como a linguagem é lateralizada no cérebro? Como os hemisférios esquerdo e direito interagem durante a produção e compreensão da linguagem? Existe redundância maciça para que as pessoas possam remanejar essas funções e se recuperarem de um acidente vascular cerebral?
Como reconhecemos as palavras? Como passamos de um sinal acústico para uma palavra, em particular quando se considera o quão empobrecido o sinal acústico possa ser? Quais são as respectivas funções dos fluxos de processamento dorsal e ventral no cérebro?
Qual é a função da Área de Broca? A área de Broca é realmente específica para sintaxe e, mais especificamente, movimento sintático, ou a área de Broca tem uma função cognitiva mais geral?


Quão modulares são as respectivas partes do cérebro que foram associadas a diferentes funções? Pesquisas anteriores sugeriram que certas partes do cérebro estão associadas a funções como a fala, reconhecimento de palavras, efeitos de cima para baixo no processamento da fala, sintaxe, fonologia, processamento de afetos emocionais na linguagem e assim por diante. Como essas diferentes regiões interagem e como são modulares em termos de realização de suas “tarefas”?
Essas parecem ser perguntas muito simples, mas suas respostas são muito difíceis e desafiam a ciência e tecnologia modernas. Talvez, ao ler isso, você aceite o desafio e inicie uma pesquisa e consiga responder algumas dessas perguntas, nunca se sabe! O futuro da linguística é alimentado por pessoas apaixonadas como você e eu. Com as ferramentas certas, podemos fazer maravilhas. Portanto, não deixe a paixão pela linguagem se extinguir dentro de você. Leve a tocha com punho de ferro e passe-a para outros com os mesmos punhos de ferro.
Você chegou ao final deste artigo. Compartilhe-o com outras pessoas que possam estar interessadas. Tenha um dia brilhante
Source:
http://thelanguagenerds.com/problems-still-unsolved-in-linguistics/?fbclid=IwAR0YlYIbqL6hfXUSo25igCklBs2uN3LstL5gVU1Bs9mhgPA12L6hd9iIqsM

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