sexta-feira, 8 de abril de 2022

Uma linguagem sem bandeira e Estado ainda é uma linguagem?

 


Uma língua sem bandeira e Estado ainda é uma língua?

É um erro sugerir que determinada língua regional não seja “real”

Festival da Canção Eurovision é muitas vezes considerado como uma espécie de espelho para a Europa. As picuinhas, alianças, cores e estilos - e, acima de tudo - o espetáculo pacífico observado em dezenas de países - representam o melhor e, às vezes, o mais bobo do próspero continente moderno. Uma das rivalidades captadas é entre as línguas europeias. Um acalorado debate recente na Espanha, visando escolher uma música a ser enviada às finais em maio, exibiu outro tipo de disputa linguística: o domínio das línguas nacionais sobre as mal compreendidas regionais.

Os telespectadores espanhóis foram presenteados com o Tanxugueiras, um trio galego e sua música “Terra”. Os apresentadores sinalizaram a primeira contenda com os telespectadores galegos quando, no que parecia algo roteirizado, um deles disse (a título de introdução): “A Bélgica enviou música em uma língua inventada, não uma, mas duas vezes.” Sua colega, em tom de galhofa, esclareceu: "Mas os próximos candidatos a nos representar não inventaram nada." E explicou; a canção foi escrita em uma das línguas regionais que têm status oficial naquela parte do país. Principalmente em galego, falado no noroeste da Espanha, mas incluiu uma expressão bem conhecida ("não há fronteiras") em língua basca, catalã, asturiana, espanhola e espanhol em sinais.

A multidão adorou a melodia e Tanxugueiras levou o voto dos telespectadores. Os dois juízes internacionais também foram conquistados pelo trio. Mas não os espanhóis, cujos votos mudaram a vitória para outra canção (em espanhol). O duplo insulto das brincadeiras dos apresentadores e dos juízes sobrepondo-se à escolha popular incendiaram as redes sociais galegas. Nossa linguagem, queixaram-se os galegos, não é de modo algum «inventada», descende do latim e é tão antiga quanto o espanhol. Alguns especularam que os juízes espanhóis simplesmente não podiam aceitar enviar uma música que não estava em espanhol para a final.

A piada sobre línguas inventadas provavelmente derivou mais da ignorância do que da malícia. A Europa está cheia de línguas regionais cujo status parece nebuloso para aqueles que pensam que a única língua “real” de um país é a oficial, nacional. As variedades locais são chamadas de dialeto, argot, patois, jargão, gíria ou similar, mesmo que os linguistas estejam convencidos de que algumas são línguas distintas. O teste mais comum do linguista para essas variantes é se os vizinhos próximos conseguem entendê-las. Se isso é difícil ou impossível, são línguas, não dialetos.

Mas outro critério é inteiramente político: a língua tem uma bandeira, fronteiras e um Estado? Caso contrário, em muitas mentes, ela existe em uma espécie de submundo de línguas não reais. O galego pode ter status oficial em sua região de origem, mas em outros lugares da Espanha é frequentemente visto como uma curiosidade, em vez de uma língua "real" como o espanhol.

Galego, por acaso, apresenta outro problema. Muitas pessoas consideram-no como fazendo parte do português, um debate abordado num recente livro (em português) de Marco Neves, da Universidade Nova de Lisboa. Neves acha que o galego pode ser considerado o pai do português. Mas a questão de se o galego é distinto é algo diferente de se é "real". Se, de fato, é realmente português - e deveria ser chamado de galego-português, um nome que algumas pessoas preferem - então é uma das maiores línguas do mundo, falada por centenas de milhões. Se for separado - e muitos portugueses podem ter dificuldade em entendê-lo, apesar das profundas semelhanças - então é uma língua regional única. Mas, em ambos os casos, não merece, tanto quanto o espanhol, ser comparada com parvoíces inventadas.

Os concursos de indicações à Eurovision continuam. A França, para seu crédito, já enviou obras em línguas regionais (corso e bretão). A Ucrânia ganhou em 2016 com uma indicação cantada em parte no tártaro da Crimeia. Mas esse tipo de reconhecimento é uma raridade. A Europa tem muitas línguas - o catalão e o Cornish, Sardinian e Sorbian, Frisian e Friulian - que contam com dezenas de milhões de falantes e são protegidas, em teoria, por constituições nacionais e por norma europeia, mas que necessitam constantemente de chamar a atenção. Quanto mais seus defensores buscam reconhecimento, mais alguns falantes de línguas nacionais os tratam como obsessivos ou excêntricos.

O concurso de música, bem famoso, não apenas contou com canções em línguas totalmente inventadas de forma elaborada, mas também teve vencedoras com títulos como “Boom Bang-a-Bang”, “Ding-a-Dong” e “Diggi-Loo Diggi-Ley”. A própria Espanha assumiu a coroa em 1968 com “La, la, la”. O ar de absurdo não seria intensificado por mais países enviarem canções nas veneráveis línguas minoritárias da Europa.

Fonte: Uma língua sem bandeira e Estado ainda é uma língua | The Economist

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quarta-feira, 23 de março de 2022

Traduções torturadas (e torturantes!) no mundo inteiro.

Pense bem antes de contratar profissionais não qualificados, você pode acabar com essas obras primas!

(Ratificação do artigo anterior, se não leu, LEIA!  

https://eduardovargas65.blogspot.com/2022/03/qualidades-que-apenas-tradutores.html

1 - No bar de um hotel norueguês: "Pede-se às senhoras que não tenham filhos no bar."

2 - Num restaurante em Nairóbi: "Os clientes que acharem as garçonetes grosseiras precisam ver o gerente."

3 - Num voo coreano: "Ao chegarmos aos Aeroportos de Gimpo e de Gimhae, por favor, vistam suas roupas."

4 - Num zoológico de Budapeste: Por favor, não alimente os animais. Se tiver comida adequada, dê ao guarda de plantão."

5 - Numa lavanderia em Bangcoc: "Largue as calças aqui para melhores resultados."

6 - Numa placa de estrada no Quênia: "Atenção: quando esta placa está embaixo d'água, a estrada fica intransitável."

7 - Num folheto de locadora de automóvel em Tóquio: "Quando passageiro a pé aparecer à vista, toque a buzina.  Toque melodiosamente a princípio, mas se ele ainda impedir sua passagem, então toque-o com vigor."

8 - No guichê de passagens aéreas na Dinamarca: "Pegamos suas malas e as mandamos em todas as direções."

9 - Num restaurante coreano em Auckland, Nova Zelândia: "Não reutilizamos a comida."

Source/fonte: linguagreca.com (retirado da revista Seleções, edição especial)

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segunda-feira, 21 de março de 2022

Qualidades que apenas tradutores profissionais podem adicionar ao seu projeto

jw.org

 por Athumani Issa

Tradutor, revisor e editor de inglês para suaíli.

Muitos acreditam que a tradução é algo que qualquer pessoa com habilidade bilíngue ou multilíngue pode realizar. No entanto, essa não é uma maneira muito precisa de pensar sobre a profissão.

Este artigo fornecerá dez razões pelas quais é benéfico contratar um tradutor de verdade, ao invés de alguém com habilidades multilíngues, mas sem a formação e educação rigorosas de um profissional.

Então a primeira pergunta a responder é...

O que é um tradutor profissional?

A tradução é uma profissão em que um indivíduo recebe formação especializada em faculdades, universidades ou dentro de associações de tradução de um determinado país, a fim de transportar o texto escrito de uma língua para outra.

Mas o que esse treinamento realmente implica? Um estudante de tradução é especialista em linguística com duas ou mais línguas. Pode ser o falante nativo de uma língua (treinado em profundidade nessa língua) e/ou outras línguas (com suas regras, cultura e usos em contextos específicos). Além deste estudo, também recebe treinamento sobre como lidar melhor com o processo de tradução.

Portanto, a tradução oferecida por um profissional é como qualquer outra profissão devidamente reconhecida, como direito, administração, engenharia, etc.

A discussão acima ajuda a definir o que é um tradutor e as habilidades e o treinamento necessários para se tornar um profissional, mas há dez características que os tradutores normalmente possuem que os fazem se destacar em comparação com um falante bilíngue.

As 10 qualidades dos tradutores profissionais

Entre outras abordagens que tradutores profissionais ou especializados podem aprender em um programa de estudo que um falante multilíngue ou bilíngue pode não ter, estão:

Paixão.

Tradutores tendem a ser muito apaixonados por seu trabalho de tradução. Usam de todos os seus meios e esforços para entregar cada projeto em excelente forma, como se fosse um filho.

Habilidades de Tradução

Um bom tradutor deve ter educação linguística específica. Deve dominar não apenas a língua estrangeira com a qual trabalha, mas também as habilidades de tradução (como discutido na seção anterior).

Curiosidade

Um tradutor está curioso e motivado para continuar aprendendo novas palavras e expressões. O processo de aprendizagem de um tradutor é interminável.

Vocabulário rico.

Um bom tradutor deve ter um léxico amplo, não apenas na língua estrangeira, mas também em sua língua materna. Isso facilitará o processo de tradução e aumentará a qualidade da tradução. Os tradutores também adquirem termos técnicos em áreas específicas, como negócios, direito, ciências, engenharia, etc...

Clareza

O objetivo de um bom tradutor é expressar a ideia do texto-fonte da forma mais clara possível, sem ambiguidades. Deve evitar estruturas difíceis quando pode usar estruturas simples.

Honestidade.

Afinal, os tradutores são humanos, portanto, é normal que não saibam algumas expressões ou palavras. No entanto, não devem simplesmente ignorá-las, mas conduzir pesquisas e anotá-las para referência futura.

Orgulho, porém com modéstia

Um bom tradutor deve sempre entregar uma tradução da qual possa se orgulhar, mas ao mesmo tempo ser humilde o suficiente para aceitar possíveis correções do editor/revisor. Pois, afinal, a coisa mais importante é sempre a qualidade da tradução.

Qualidade da tradução

Os grandes tradutores são obcecados com a qualidade.

Recursos

Para alcançar a qualidade acima mencionada, um bom tradutor deve usar todos os recursos disponíveis.

Precisão

Um bom tradutor deve fornecer uma transferência exata de informações. Apesar de ser tentador às vezes, o tradutor não deve corrigir o texto de origem, procurando, em vez disso, manter o "espírito" do original.

Considerações finais e conclusão

Além das qualidades acima que um tradutor profissional ou especializado deve possuir por meio de aprendizagem e prática eficazes em sua carreira acadêmica, ele também pode ter técnicas de tradução específicas, dependendo dos requisitos do cliente. Por exemplo, alguns clientes e documentos precisam de tradução palavra por palavra, outros, literais, semânticos ou comunicativos. Assim, o falante multilíngue ou bilíngue pode não ter a experiência de saber quais técnicas deve aplicar ao documento.

Não só isso, mas a tradução tem um processo específico o qual esse tradutor precisa seguir para tornar o trabalho mais eficaz; utilizando tal processo, o tradutor profissional levará em conta muitos aspectos para tornar o documento traduzido da mais alta qualidade possível e livre de quaisquer erros evitáveis.

Já é hora de gestores e pessoas que desejam contratar indivíduos para trabalhos de tradução considerarem especializações e profissionalismo como fazem ao contratar engenheiros, médicos, advogados ou qualquer outro profissional de carreira.

https://www.tm-town.com/blog/why-hire-professional-translators

Tradução: Eduardo Vargas

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segunda-feira, 13 de dezembro de 2021

Tradutores & Intérpretes: os facilitadores não reconhecidos do mundo - Translators are the unacknowledged facilitators of the world | The Economist


e, assim como os intérpretes, raramente recebem o crédito que lhes é devido

Uma tradução errada colocou robôs em Marte? 

Em 1877, Giovanni Schiaparelli, um astrônomo italiano, usou seu telescópio de última geração para visualizar e descrever o que chamou de “canalido planeta vermelho. Os tradutores ingleses não atentaram na descoberta para um termo que acabou sendo traduzindo como “canals”. Seguiu-se um frenesi de especulações de que Marte poderia ser habitado, o que deixou uma marca profunda na imaginação humana. Até hoje, “marciano” é sinônimo de vida alienígena.

Mas a palavra italiana também poderia ser traduzida como “channels”. O que Schiaparelli quis dizer? Em alguns escritos ele teve o cuidado de desencorajar conclusões taxativas sobre a vida em Marte; em outros, acabou por encorajar exatamente tais conclusões. É quase como se canali o deixasse ter “canals” e “channels” em sua mente ao mesmo tempo.

A história é contada em “Dancing on Ropes”, o novo livro de Anna Aslanyan sobre os papéis de tradutores e intérpretes em momentos críticos da história. Está cheio de histórias vivas como a dos canais de Schiaparelli.  A Sra. Aslanyan é, ela mesma, tradutora e intérprete (no jargão da profissão, o primeiro trabalha por escrito, o último com a fala) e conta com experiência prática e de arquivo. A autora deixa o leitor com um respeito reverente pela tarefa do tradutor.

O ideal é que os intérpretes sejam invisíveis e duas pessoas que não compartilhem um idioma sentirão que estão conversando diretamente. Mas esse ideal é virtualmente inatingível. Os palestrantes cortam seus próprios intérpretes. Os ouvintes são rudes com eles, como se os intérpretes (e não o interlocutor real) tivessem dito algo questionável. O pobre linguista pode, portanto, ser tentado a limpar ou suavizar um comentário rude.  A Sra. Aslanyan relata algumas histórias divertidas do intérprete russo para Silvio Berlusconi, o obsceno ex-primeiro-ministro da Itália.

Em “O Jogo da Linguagem”, Ewandro Magalhães, intérprete brasileiro, descreve como, nos julgamentos de Nuremberg, pequenas cabines conectadas com fios telefônicos foram usadas pela primeira vez para interpretação em vários idiomas. A equipe tinha um dia de folga em três, e os turnos eram limitados a 45 minutos. Mesmo assim, disse uma intérprete, quatro meses em Nuremberg a fizeram se sentir dez anos mais velha. Talvez apenas os otomanos, que fizeram do "dragomano" um trabalho poderoso - o grande dragomano era simultaneamente vice-ministro das Relações Exteriores - deram aos intérpretes o respeito que merecem.

A tradução é diferente: geralmente solitária, aparentemente mais tranquila, mas, agora, sob tremenda pressão econômica. Na era digital, todos competem com todos e os compradores muitas vezes simplesmente aceitam o lance mais baixo (ou o Google Translate). O trabalho literário que não pode ser feito por um empreiteiro sem rosto ou por uma máquina pode nem sempre pagar as contas, mas pelo menos fornece estímulo. Anna Aslanyan recorda a tentativa de transpor o russo falado na zona rural da Ucrânia para um inglês carregado nos mesmos tons; depois que ela e um colaborador consideraram e rejeitaram uma inflexão escocesa, tentaram com fragmentos do inglês bem interiorano. Desde 2016, os supervisores do International Booker Prize for Fiction dividem o prêmio em dinheiro igualmente entre os autores e seus tradutores.

Aslanyan diz que um erro de tradução também desempenhou um papel no bombardeio atômico americano sobre o Japão em 1945. Um comunicado oficial informava que os japoneses iriam “mokusatsu” a Declaração de Potsdam, que apelava à rendição do Japão. O verbo pode significar coisas como “não comentar sobre” e “matar com silêncio”, mas também “tratar com desprezo silencioso”. Os americanos se inclinaram para a última interpretação - um insulto desafiador - ajudando a selar o destino de Hiroshima.

Os devotos do Esperanto, uma língua artificial, há muito esperavam que a compreensão promovesse a paz entre os povos. Douglas Adams, autor de “O Guia do Mochileiro das Galáxias”, satiricamente assumiu a posição oposta. Em sua fantasia, o Babel Fish - que, uma vez preso ao ouvido, fornece instantaneamente a tradução perfeita de todas as línguas - é responsável por mais guerras do que qualquer outra coisa na história.

Mas o comentário mais eloquente sobre a tradução vem de José Ortega y Gasset, filósofo espanhol citado por Aslanyan. Duas palavras em duas línguas nunca são traduções exatas uma da outra, disse ele. Mais do que isso, porém, duas pessoas nunca querem dizer a mesma coisa com a mesma palavra (com a possível exceção de alguns termos científicos). A tradução, portanto, é um esforço “utópico”, um ato impossível de leitura perfeita da mente. Isso não significa que não deva ser tentado - mas aqueles que tentam devem ser “bons utópicos” que sabem que nunca terão sucesso.

Este artigo foi veiculado na seção Books & Arts da edição impressa com o título "Only translate"

Fonte: Translators are the unacknowledged facilitators of the world | The Economist

Books & arts

Edição de 19 de junho de 2021

Tradução: Eduardo Vargas

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quarta-feira, 18 de agosto de 2021

Por que a letra K quase desapareceu do latim (+ a família românica e a maioria das línguas europeias), mas geralmente é encontrada em muitas adaptações modernas do latim para outras línguas.

 O “K” era usado apenas em uma única palavra da língua latina. Para todos os efeitos, também pode-se dizer que o latim não tem “k”.

No entanto, a noção de que “k” não está presente na maioria das línguas europeias está muito errada! Ao contrário, evitar o “k” está especificamente associado às línguas românicas, mas as línguas germânicas e eslavas o usam quase exclusivamente para escrever um som “k” forte.

A razão é muito simples. O latim usa “c” para escrever o som “k” forte em qualquer posição. Portanto, o "c" em "casus" e "Cícero" eram pronunciados de forma idêntica (como um som de "k"), mas com o tempo, este som tornou-se palatizado antes de "i" e "e", eventualmente levando "Cícero" a ser pronunciado "chichero” (“ch” como em“ queijo ”). Sendo ainda pronunciado assim tanto no italiano quanto no romeno.

No latim vulgar falado na França e na Espanha, as pessoas começaram a pronunciar esse som “ch” como um som “tz” (então “tzitzero” em vez de “chichero”) que mais tarde enfraqueceu para um som “s” em francês, português e castelhano antigo (antes de, mais tarde, sofrer mutação para o “th” em “thin” usado no espanhol europeu padrão).

Quando as línguas eslavas estavam adaptando a escrita latina para escrever suas próprias línguas, usaram “c” para representar o som “tz” e “k” para escrever o som “k”.

Assim, o nome polonês “Lewicki” é pronunciado “levitzki” e o checo “Potocky” é pronunciado “pototzkee”.

As línguas germânicas geralmente usam apenas “c” em empréstimos ou certas combinações de letras. Em alemão, “c” é pronunciado “k” em palavras como “Canto”, mas “tz” em palavras como “Celsius”. Em holandês, dinamarquês e outros, “c” é pronunciado como em inglês (“k” antes de a, o, u e “s” antes de “e” e “i”).

Para encurtar a história, “k” tem sido a maneira padrão de escrever o som “k” para a maioria das línguas que padronizaram sua ortografia do período medieval em diante, seja na Europa ou não, porque “c” é visto como muito variável e confuso.

O inglês foi fortemente influenciado pelo francês e manteve o uso de “c”, mas isso está muito associado às línguas românicas e celtas, e não a qualquer outra na Europa (ou outro lugar).

Shayn McCallum (https://www.quora.com/profile/Shayn-McCallum)

Considero-me um estudante incansável de história.

Tradução: Eduardo Vargas

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segunda-feira, 5 de julho de 2021

A Tradução Automática e a Língua Portuguesa

 

A Tradução Automática e a Língua Portuguesa

Postagem de Marsel N. de Souza

traduzido do inglês por Eduardo Rodrigues

O português está em 5º lugar entre os idiomas com mais usuários na Internet em todo o mundo, atrás do inglês, chinês, espanhol e árabe. Em termos de percentagem de sites em português na proporção dos sites globais, o idioma português ocupa a 7ª posição, depois do inglês, russo, alemão, espanhol, francês e japonês. Existem 273 milhões de falantes de português no mundo. Quase 11 milhões deles estão em Portugal, enquanto incríveis 210 milhões vivem no Brasil (um total de 62 milhões de pessoas podem ser encontradas nos restantes países de língua portuguesa na África e na Ásia).

Levando em conta tais estatísticas, é natural que a maioria dos sites em português tenham uma extensão de domínio “.br”. A predominância do português brasileiro também se reflete em mecanismos de tradução automática online, como o Google Translate - afinal, a própria Web fornece a “matéria-prima” desses mecanismos de tradução. Costumo trabalhar com o Google Translate e percebi que, até recentemente, qualquer tradução inglês -> português oferecia uma mistura de português europeu e brasileiro em termos de ortografia, vocabulário e gramática, novamente com uma tendência para a variante brasileira. No entanto, agora estou com a sensação de que toda a produção inglês-português se baseia quase inteiramente no português falado deste lado do Atlântico. Experimente você mesmo e tire suas próprias conclusões.

Embora o Google Translate tenha melhorado muito em vários pares de idiomas - incluindo inglês-português e vice-versa - há muito espaço para melhorias. Curiosamente, às vezes você tem resultados totalmente diferentes dependendo do par de idiomas. Por exemplo, compare os exemplos abaixo - mesma frase do inglês para o português e para o espanhol.



 


Uma falha crítica no Google Translate é que ele não pode (ainda?) detectar alguns erros importantes no texto de origem e não ser induzido a fornecer uma tradução grosseiramente incorreta. O exemplo abaixo ilustra este ponto:



Não se deve esperar que o Google Translate lide com algumas referências culturais de maneira adequada - e o português pode ser um campo minado nesse terreno.



A pós-edição pode se tornar uma tarefa assustadora, e isso não seria diferente nos casos em que o português está envolvido. Portanto, queridos colegas do PLD, nunca confiem inteiramente na máquina e sempre aproveitem suas habilidades linguísticas e culturais conquistadas com tanto esforço.


Marsel N. de Souza é intérprete e tradutor em tempo integral e está baseado em Brasília, Brasil. É bacharel em tradução inglês> português pela Universidade de Brasília e certificado em estudos avançados de francês pela Alliance Française. Também é tradutor de inglês> português com certificação ATA. Trabalha principalmente com a comunidade diplomática e organizações internacionais em Brasília, mas suas atribuições de interpretação e tradução o levaram a várias partes do Reino Unido, Estados Unidos, Brasil, França e África. É membro da Associação Internacional de Intérpretes de Conferência.

Fonte: Tradução Automática e Língua Portuguesa (ata-divisions.org)

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terça-feira, 1 de junho de 2021

Origens e influências do idioma inglês

 

A origem e influências da Língua Inglesa

Muitos falantes nativos do inglês decidem aprender espanhol como segunda língua alegando ser tal idioma bastante semelhante ao seu. Mas, ao analisarmos as origens dos dois ramos das famílias linguísticas, encontramos: o inglês é uma língua germânica e, por sua vez, o espanhol é uma língua românica.

Como assim?

A verdade é que isso dificilmente revela a série de trocas e manipulações na origem da língua inglesa.

O aspecto alemão do inglês vem, na verdade, das tribos germânicas – os anglos, os saxões e os jutos – que habitavam a região da Grã-Bretanha no século V. Tais povos traziam vários dialetos da antiga língua germânica e, à medida que se fundiram, formou-se o inglês antigo.

No século 9, os vikings começaram a invadir a Grã-Bretanha. As guerras também levaram à migração em massa. À medida que as duas comunidades se entrelaçavam, muitas palavras foram intercambiadas. Isso levou diversas palavras do escandinavo antigo ao vocabulário inglês, como "sky" e "egg". Uma das maiores influências foi a derrocada do “gênero gramatical” e uma redução drástica nas inflexões, facilitando assim a comunicação entre vikings e britânicos. Esta é uma diferença muito evidente entre as versões atuais do inglês e do alemão.

Déjà vu? Reservoir? Souvenir? Por que tantas palavras francesas são usadas?

Em 1066, Guilherme, o Conquistador, invadiu a Grã-Bretanha. Foi, então, o estabelecimento de uma nova língua franca – o francês. A língua francesa tornou-se o idioma da nobreza, do governo e da literatura. Dominou a classe alta, mas a maioria da população não fazia parte disso e continuaram usando um idioma inglês com grande influência francesa.

Então, como essa mistura de escandinavo, francês e alemão tornaria o inglês tão “semelhante” ao espanhol de hoje? O espanhol é uma língua românica. Mas o que caracteriza uma língua românica?

Uma língua românica é aquela que vem do latim, tendo sido falada durante o Império Romano até sua queda em 476 EC. No entanto, quando o Império Romano desmoronou, a língua não morreu com ele.

Sendo o cristianismo a religião mais difundida durante a Idade Média na Europa, o latim se espalhou com ele. O Catecismo da Igreja e a Bíblia eram em latim; portanto, a maior parte da Europa precisava entender o latim para a oração e a prática religiosa. A Idade Média também foi fortemente influenciada pela religião, pois era um aspecto regular da vida cotidiana das pessoas. Ou seja, essas palavras latinas eram usadas diariamente e com frequência.

Agora, antes de tudo, temos que determinar como o latim originou as línguas românicas.

As línguas são um aspecto do comportamento humano, assim como a evolução e a especiação – a formação de uma espécie ao longo do tempo. É por isso que a especiação alopátrica é uma excelente analogia de como o latim evoluiu na Europa ao longo do tempo.

Ela ocorre quando a população de uma espécie é separada por uma barreira geográfica. À medida que são separadas e se adaptam ao novo ambiente ao longo do tempo, eventualmente evoluem e formam uma espécie própria.

Isso é exatamente o que aconteceu com o latim durante a Idade Média na Europa.

O latim era usado em todas as igrejas e comunidades, mas com o passar do tempo, a língua evoluiu para características próprias. Mesmo dentro dos Estados Unidos, vemos isso acontecer com o inglês. Diferentes dialetos são detectados no pais porque os humanos se adaptam muito rapidamente a diferentes ambientes e culturas.

Bem, à medida que o latim se espalhou e se especiou por toda a Europa, também se adaptou como um aspecto comum da vida cotidiana da Inglaterra. É por isso que as palavras românicas constituem uma grande porcentagem do vocabulário inglês.

Apesar de toda a influência de outras línguas, o inglês ainda era o idioma principal da Grã-Bretanha. Em 1362, o inglês começou a ser usado nas escolas e também nos tribunais (substituindo o francês).

Então veio o Renascimento, que levou à imprensa, que por sua vez permitiu o uso generalizado da leitura e escrita em inglês. O Renascimento também levou a um movimento humanístico patriótico, que fez com que as pessoas usassem o inglês com mais frequência do que as línguas românicas clássicas.

À medida que o inglês se tornou mais e mais definido pela literatura e acadêmicos, cresceu e se tornou o inglês moderno bem mesclado que falamos hoje.

Fonte: https://medium.com/language-lab/the-origin-of-the-english-language-62705799033d

Obrigada!

Meu nome é Alyssa Gould, e sou apaixonada pela interseção entre Inteligência Artificial, Realidade Aumentada e Aquisição de Segunda Língua!

Sinta-se à vontade para entrar em contato comigo em alyssa25g25@gmail.com para perguntas ou qualquer coisa!

Tradução: Eduardo Vargas

tonyed35@gmail.com

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